A DEVORAÇÃO DE MÉTIS POR ZEUS: mito, gênero e o apagamento simbólico do feminino

Autori

Parole chiave:

mito grego, patriarcado, saber feminino

Abstract

O texto analisa o mito da devoração de Métis por Zeus, conforme apresentado por Hesíodo na Teogonia, como um dispositivo simbólico que legitima a supremacia patriarcal na Grécia arcaica. A devoração de Métis, deusa da sabedoria, grávida de Atena, é interpretada como uma metáfora da supressão do saber feminino e da maternidade como princípio fundador. O nascimento de Atena diretamente da cabeça de Zeus representa a criação de uma ordem patriarcal autossuficiente, onde o feminino só pode existir sob controle masculino. A análise se apoia em autores como Nicole Loraux, Pierre Vernant, Judith Butler, Marija Gimbutas e J. J. Bachofen, evidenciando como o mito constrói subjetividades e legitima a exclusão simbólica do feminino como origem, linguagem e genealogia.

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Biografie autore

Ronald Lopes de Oliveira, Coletivo de Pesquisa Ativista Psicanálise Educação e Cultura

Psicanalista, Doutor em História (UERJ). Mestre e Licenciatura em História (UNIRIO). Pós-graduado em Psicanálise e Saúde pelo SEPAI-RJ. Pós-graduando em Teoria Psicanalítica pela USU-RJ. Pós-graduado em Orientação, Supervisão e Gestão Escolar (UNINTER). Pós-graduado em Ciências da Religião (AVM/UCAM). Bacharel em Teologia (FACETEN). Pesquisador no Laboratório de Educação, Gênero e Sexualidade da UFRRJ, no Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde/UNIR e no Grupo ÁFRICAS Sociedade, Política e Cultura (UERJ-UFRJ). Coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura (CPAPEC) e da Escola Psicanalítica da Escuta Peripherica (EPEP).

Thayele Santana, Universidade de Coimbra

Doutoranda em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra (UC), Mestranda em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Especialista em Filosofia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Licenciada em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Desenvolve pesquisas sobre gênero na Grécia Arcaica, com ênfase no corpus hesiodicum e no corpus platonicum

Riferimenti bibliografici

Fontes

HESÍODO. Teogonia. Trad. H.G. Evelyn-White. Harvard University Press / Loeb Classical Library, 1914.

HINO HOMÉRICO. Hino 28 a Atena. Tradução de EVELYN-WHITE, Hugh G. Cambridge, MA: Harvard University Press; London: William Heinemann Ltd., 1914.

Bibliografia

BACHOFEN, J. J. Das Mutterrecht. Stuttgart, 1861.

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DETIENNE, Marcel; VERNANT, Jean-Pierre. Les ruses de l’intelligence: la mètis des Grecs. Flammarion, 1974.

FRONTISI-DUCROUX, Françoise. Imagens dos deuses: ensaios sobre a iconografia grega. UFMG, 2000.

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HESÍODO. Teogonia. Trad. H.G. Evelyn-White. Loeb Classical Library, 1914.

KELLY, A. Gendrificando o mito de sucessão em Hesíodo e no Antigo Oriente Próximo. Tradução de Camila Aline Zanon. Clássica, e-ISSN 2176-6436, v. 32, n. 2, 2019.

LORAUX, Nicole. As experiências de Tirésias: o feminino e o homem grego. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993.

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e pensamento entre os gregos. Paz e Terra, 1990.

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Pubblicato

2026-02-11

Come citare

de Oliveira, R. L., & Santana, T. (2026). A DEVORAÇÃO DE MÉTIS POR ZEUS: mito, gênero e o apagamento simbólico do feminino. Revista Húmus, 15(46). Recuperato da https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/151745

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