A AUTOFICÇÃO "O PARQUE DAS IRMÃS MAGNÍFICAS": o espelho inverso e a gratuidade do mal

Autores/as

Palabras clave:

Autoficção. Travesti. Gratuidade do mal. Psicanálise. Necropolítica.

Resumen

O trabalho apresenta a narrativa autobiográfica da obra O Parque das Irmãs Magníficas (2021), cujo enredo central descreve a vida cotidiana de uma travesti refém da prostituição e das feridas obscenas da vida nua das ruas em comunhão com a soberania do biopoder. Adentramos na narrativa da violência cotidiana vivida por um grupo para refletir sobre o insuportável terror submetido por certas existências, capitaneado por uma sociedade que se nega a ver. Por outro lado, apesar do cenário de violência narrada no território do desumano, encontramos poesia e realismo fantástico, como possibilidade de uma construção de si reparadora. A relevância do tema são as ligações entre o aparato biopolítico e as técnicas necropolíticas. O objetivo geral do trabalho é interrogar a qualidade do estranho freudiano, através do espelho invertido do duplo, visando compreender a gratuidade do mal a estes corpos. Ao enfatizar o caráter enigmático da cegueira deliberada, ata-se uma cumplicidade cruel aos corpos pavoneados vulneráveis. O recurso metodológico parte da anamnese dos elementos textuais da autobiografia em paralelo com Freud O estranho (1919) e Os três ensaios da teoria da sexualidade (1905), permitindo-nos fundamentar concordâncias com a biopolítica e a era farmacopornográfica de Paul Preciado em Testo Junkie (2023). No caso do corpo travesti, este não seria o mesmo corpo fabricado das heteronormatividades, e, por isso, explicaria o despertar do terror e da fascinação de uma necropolítica.

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Biografía del autor/a

Michelle Lima, Unicap

Psicóloga clínica. Formação em clínica Psicanalítica da infância e adolescência (CPPL). Doutora em psicologia clínica pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Membro do corpo editorial da revista científica FAMINAS na área de ciências sociais aplicada. Colaboradora do conselho científico da revista REBENA.

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Publicado

2026-04-01

Cómo citar

Lima, M. (2026). A AUTOFICÇÃO "O PARQUE DAS IRMÃS MAGNÍFICAS": o espelho inverso e a gratuidade do mal. Revista Húmus, 16(47). Recuperado a partir de https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/154854

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