QUEM PODE SONHAR? Diário de uma psicanalista na Educação pública
Mots-clés :
Educação pública;, Escuta psicanalítica, Impossibilidade de sonhar, Dimensão sociopolítica do sofrimento, Instâncias ideaisRésumé
Por meio de memórias oriundas da experiência de uma psicanalista na rede de ensino do Município do Rio de Janeiro, este artigo problematiza a impossibilidade de algumas crianças e adolescentes sonharem ou projetarem futuros. Radicalizando a proposição freudiana da impossibilidade de se promover uma separação rígida entre a psicologia social e individual, toma como apoio teórico a noção de instâncias ideais de Freud ([1914]1996), a ideia de recusa da intenção de Lambotte (1997), o entendimento de “crença em...” de Winnicott (1963) e a concepção de sofrimento sociopolítico de Rosa (2016). Neste último ponto, confere destaque à racialidade, um marcador social significativo no processo de constituição subjetiva dos brasileiros. Sem a pretensão de fornecer uma resposta conclusiva às questões levantadas, o artigo aponta ainda para posições possíveis de serem adotadas frente a meninas e meninos que respondem “tanto faz como tanto fez” ao serem confrontados com o campo do desejo.
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