Bd. 15 Nr. 44 (2025): VOZES DAS MARGENS: Educação crítica no combate ao racismo e à violência de gênero
É com imensa satisfação que apresentamos este dossiê, fruto de uma iniciativa pioneira de dois psicanalistas das margens, Ronald Lopes e Jairo Carioca, que têm atuado nas periferias brasileiras com o compromisso de transformar realidades através da escuta, do cuidado e da construção de saberes e não saberes coletivos. Este trabalho nasce do desejo de ampliar as fronteiras da psicanálise, articulando-a as lutas sociais e às questões que atravessam as margens da sociedade. Com a sensibilidade de quem vive e atua no cotidiano das periferias, Carioca e Lopes convidaram autores de diferentes epistemes, educação, sociologia, estudos contracoloniais, feminismo negro, antropologia, história e muitos outros, para compor este dossiê. O objetivo foi reunir vozes que dialoguem com as realidades invisibilizadas e que contribuem para pensar práticas e teorias comprometidas com o antirracismo e a anticolonialidade. Assim, amplificando as vozes das margens na periferia da pluralidade. O resultado foi uma publicação que não só ultrapassa a ideia de inclusão, mas ressignifica o espaço acadêmico e educativo como território de resistência, aquilombamento e escrevivência. Cada artigo aqui presente propõe um olhar crítico às estruturas de poder que perpetuam o racismo, o patriarcado e a colonialidade, ao mesmo tempo em que apontam caminhos para práticas pedagógicas e sociais libertadoras. A educação, neste contexto, é compreendida como um ato político, um campo em que as epistemologias dissidentes, silenciadas pelas narrativas hegemônicas, encontram lugar para serem escutadas. Ao reunir saberes múltiplos, este dossiê reafirma que a psicanálise depende de outros campos para imaginar futuros em que as subjetividades dissidentes possam ser escutadas e rompam com as estruturas de poder. Que este dossiê seja a partida para discussões que cruzem fronteiras disciplinares e espaciais, que inspirem educadores, psicanalistas e leitores a se engajarem na construção de uma sociedade mais plural. Que o comprometimento com as vozes das margens seja de responsabilidade coletiva. Sejam bem-vindes a este espaço de resistência através da escuta das margens com os olhos.


