Ecos do Movimento Tea Party
convergências e divergências programáticas na nova direita latino-americana
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-5269.152082Resumo
Este artigo analisa a ascensão do populismo de direita na América Latina, contestando a ideia comum de que se trata apenas de uma variante regional da Direita Populista Radical Europeia (PRR). Embora figuras como Jair Bolsonaro, José Antonio Kast, Javier Milei e Nayib Bukele apresentem tendências populistas e uma retórica de guerra cultural, o artigo defende que as suas diferenças programáticas são significativas e criam tensões no seio do espectro de direita. As abordagens existentes baseadas na categoria PRR correm o risco de obscurecer estas linhas de fratura internas. Para fornecer um quadro mais matizado, o artigo recorre à história do movimento conservador dos Estados Unidos, que há muito engloba diversas vertentes, incluindo o conservadorismo clássico, o populismo de direita, o cristianismo evangélico e o libertarianismo. Estas vertentes por vezes convergiram, mas raramente alcançaram uma unidade sustentada. A análise mostra que a direita latino-americana combina, de forma semelhante, correntes ideológicas parecidas, bem como a peculiaridade regional do populismo de “mano dura”. Com base numa análise de textos programáticos, são analisados os casos atuais de populismo de direita na América Latina. Uma análise preliminar dos perfis programáticos revela divergências significativas entre esses casos, que são agrupados em três categorias programáticas.
Palavras-chave: Populismo de Direita; Nova Direita Latinoamericana; Ideologia de Direita; Populismo de Mano Dura; Direita Radical Populista (PRR).
