ÁFRICA E A ‘BARGANHA DA GLOBALIZAÇÃO’: RUMO A UMA SOBERANIA ECONÔMICA COLETIVA
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-6912.113344Palavras-chave:
África, Soberania econômica, Globalização, ‘Barganha’ da globalização, Multilateralismo.Resumo
A situação existencial da África na ordem global prevalecente é tal que nenhum Estado pode se permitir levar a soberania nacional muito a sério. Além da miríade de desafios estruturais impostos ao continente pela globalização, a África enfrenta uma gama de problemas políticos e econômicos que só podem ser resolvidos de forma significativa por meio de alguma forma de colaboração multilateral estratégica. A aspiração da África à soberania econômica foi restringida pelas condicionalidades estruturais da globalização, que mantiveram o continente excessivamente fraco, dependente e subdesenvolvido. A restrição é tão imanente que os Estados africanos individuais dificilmente podem arcar até mesmo com a soberania relativa para desfrutar de um equilíbrio estratégico nas assimetrias de interdependência rapidamente ossificantes que caracterizam a economia política global contemporânea. É postulado neste artigo que o remédio para a África reside na capacidade de seus Estados transcenderem suas divisões territoriais e nacionalistas enfraquecedoras e capitalizar os mecanismos multilaterais continentais existentes para a convencionalização da soberania coletiva, baseada no princípio do supranacionalismo pan-africano. Para esse fim, alavancar e maximizar os ganhos e possibilidades dos organismos supranacionais regionais e continentais existentes se tornaria saliente e expediente.