O LUGAR QUE OCUPA A PESQUISA NA FORMAÇÃO DE DOCENTES NO URUGUAI
Resumo
Partimos da hipótese de que para ensinar um objeto de conhecimento é preferível estar, tanto quanto possível, vinculado às conversas científicas em que se trama sua produção. Acreditamos, portanto, que a autonomia docente justamente exigida reside justamente nisso. Este trabalho investiga a configuração da pesquisa na formação docente uruguaia. Falo com base num estudo do Instituto Superior de Educação Física (ISEF), onde se formaram professores da Educação Física (hoje licenciados), e do Instituto de Professores “Artigas” (IPA), onde se formam os diversos professores (Química, Física, Geografia, Sociologia, Literatura, etc.) que trabalham no Consejo de Educación Secundaria (ensino médio). Centramos nossa atenção nos discursos emitidos por ambas as instituições em relação às considerações epistemológicas e políticas sobre o tema em questão. O artigo apresenta um desenvolvimento dos antecedentes e tradições presentes desde o início do funcionamento dessas instituições, como objetivo de reconhecer como elas impactaram nas posições discursivas subsequentes. Posteriormente, centramo-nos na análise dos planos de estudos, da documentação institucional e dos artigos elaborados no âmbito das publicações oficiais que ficaram a cargo de cada instituto. O trabalho visa contribuir com elementos teóricos para a discussão pública sobre o caráter universitário da formação docente, que existem no Uruguai, e apontar as complexidades que surgem da relação entre ensino e pesquisa. Alimenta-se da conceituação existente sobre a tradição universitária e escolar normal, a fim de identificar a relação entre estas e o futuro da pesquisa em ambas as instituições. Leva em conta a distinção entre funcionamento científico e funcionamento ideológico, conceituada por Althusser (1988) e ao final dedica uma seção à comparação entre cada instituto em busca de ilustrar a diversidade de situações em que os professores se encontram.
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