Carta aberta a sociedade: a tortura do corpo como silenciamento da fala versus a escrita como denúncia a opressão

Autores

  • Sidélia Suzan Ladevig UFSC
  • Alexandre Fernandez Vaz UFSC

Resumo

Marcos Cardoso Filho, professor da Escola Técnica Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, foi preso em quatro de novembro de 1975, sob a acusação de ser membro do Partido Comunista Brasileiro, clandestino sob o governo ditatorial vigente no Brasil entre 1964-1985/1988. Durante o cárcere, Marcos escreve uma carta denunciando os crimes e torturas a que ele e seus colegas foram submetidos durante os primeiros dias de prisão. O presente artigo analisa essa carta que chega até a Anistia Internacional. Quando os militares tentam calar os prisioneiros por meio das torturas, é por meio da escrita que Marcos Cardoso torna públicas as atrocidades cometidas pelo regime. O corpo é instrumento de repressão contra os que questionam o regime civil-militar, a censura, a ausência de democracia. Quando a um povo lhe é tolhida a soberania, a capacidade de participar das decisões políticas, o silenciamento é imposto aos que resistem. O Professor torna público o que lhe é privado, o seu corpo e suas dores, com a intenção de sensibilizar as pessoas, e para que não se permita mais que outros sejam torturadas, agindo na luta contra a opressão.

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Biografia do Autor

Sidélia Suzan Ladevig, UFSC

Mestre em Educação pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Técnica em Assuntos Educacionais no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC).

Alexandre Fernandez Vaz, UFSC

Doutorado em Ciências Humanas e Sociais (Dr. phil.) pelo Gottfried Wilhelm Leibniz Universität Hannover, Alemanha. Professor Titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista de produtividade em pesquisa Conselho Nacional de Pesquisas e Desenvolvimento Tecnológico (CNPq).

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Publicado

2023-06-13

Como Citar

Suzan Ladevig, S., & Fernandez Vaz, A. (2023). Carta aberta a sociedade: a tortura do corpo como silenciamento da fala versus a escrita como denúncia a opressão. Políticas Educativas – PolEd, 16(2). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/Poled/article/view/133192