Carta aberta a sociedade: a tortura do corpo como silenciamento da fala versus a escrita como denúncia a opressão
Resumo
Marcos Cardoso Filho, professor da Escola Técnica Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, foi preso em quatro de novembro de 1975, sob a acusação de ser membro do Partido Comunista Brasileiro, clandestino sob o governo ditatorial vigente no Brasil entre 1964-1985/1988. Durante o cárcere, Marcos escreve uma carta denunciando os crimes e torturas a que ele e seus colegas foram submetidos durante os primeiros dias de prisão. O presente artigo analisa essa carta que chega até a Anistia Internacional. Quando os militares tentam calar os prisioneiros por meio das torturas, é por meio da escrita que Marcos Cardoso torna públicas as atrocidades cometidas pelo regime. O corpo é instrumento de repressão contra os que questionam o regime civil-militar, a censura, a ausência de democracia. Quando a um povo lhe é tolhida a soberania, a capacidade de participar das decisões políticas, o silenciamento é imposto aos que resistem. O Professor torna público o que lhe é privado, o seu corpo e suas dores, com a intenção de sensibilizar as pessoas, e para que não se permita mais que outros sejam torturadas, agindo na luta contra a opressão.
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