MINHA HISTÓRIA COM AS ARTES CULINÁRIAS DO POVO INDÍGENA TERENA
EXPERIÊNCIA, AGÊNCIA E LUTA INDÍGENA
Resumen
Este artigo é etnografia e narrativa autobiográfica de uma mulher terena, chef de cozinha e antropóloga, que usa as práticas culinárias de seu povo como lentes para estudar a agência e resistência cultural. O foco central é o hî-hî, um bolinho de mandioca cozido em folha de bananeira, preparado para durar meses (soleado). Narrativas de infância e a história de minha avó conectam o hî-hî a memórias ancestrais e à luta terena. O prato, cuja receita é um ritual que reforça a conexão com a terra e a oralidade, transcende o alimento, sendo arte culinária viva. Argumento que a manutenção do hî-hî e de outras tradições, como a dança do Bate-Pau (hiokéxoti kipa’e), são atos de resistência contra o colonialismo e a degradação ambiental. Minha dupla identidade profissional chef e antropóloga reflete a luta por protagonismo e a descolonização do saber, afirmando a cozinha terena como um território de luta política e epistemológica.
Palavras chave: Autobiografia, Resistência cultural. Protagonismo Indígena.
