Tendinite em Equino – Combinação de Ortobiológicos e Estratégias de Reabilitação
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.152928Palavras-chave:
regenerative therapies, tendinitis, equines, ultrasonographyResumo
Background: Os tendões são estruturas essenciais na locomoção dos equinos, permitindo a mobilidade dos membros por meio dos movimentos articulares de flexão e extensão. Compostos por fibras colágenas tipo I organizadas em tecido conjuntivo denso, também atuam como reservatórios e transmissores de energia elástica. A tendinite, inflamação causada por ruptura parcial ou total das fibras tendíneas, pode ser classificada como aguda (por trauma único) ou crônica (por microlesões repetitivas), sendo especialmente comum em cavalos atletas. A ultrassonografia é considerada o padrão-ouro no diagnóstico e acompanhamento dessas lesões, permitindo avaliar espessura, ecogenicidade e integridade das fibras, além de guiar o retorno gradual às atividades. O tratamento deve ser multidisciplinar, com enfoque inicial na redução da inflamação e prevenção de fibrose, utilizando crioterapia, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), bandagens compressivas e fisioterapia. Esta última, por meio de técnicas como caminhadas controladas, mobilizações passivas, massagem e laserterapia, contribui para a reorganização das fibras colágenas, regeneração do tecido e alívio da dor. Entre as terapias ortobiológicas, o plasma rico em plaquetas (PRP) e o líquido amniótico equino (LAE) vêm ganhando destaque por seus efeitos sinérgicos na regeneração tecidual. O PRP promove reparo com ação anti-inflamatória, enquanto o LAE estimula proliferação celular, angiogênese e produção de colágeno. O uso combinado dessas abordagens representa uma estratégia promissora no tratamento de tendinites em equinos atletas.
Case: Relata-se o caso de um equino da raça Crioula, 25 anos, utilizado em esportes de laço, diagnosticado com tendinite do tendão flexor digital superficial (TFDS), atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS. O diagnóstico e o monitoramento da lesão foram realizados por meio de ultrassonografia, fundamental para guiar as fases do tratamento. O animal permaneceu internado por três meses, sendo submetido a terapias convencionais como fisioterapia, crioterapia, bandagens compressivas, casqueamento corretivo e ferrageamento ortopédico. Também foram aplicadas terapias regenerativas: PRP de forma intralesional e LAE por via subcutânea. O paciente respondeu de forma positiva ao tratamento, com melhora clínica progressiva, recebendo alta com recomendação de aposentadoria das atividades esportivas. O acompanhamento foi mantido com retornos periódicos, a cada três meses, para revisão clínica e ferrageamento ortopédico.
Discussion: Lesões tendíneas são frequentes em equinos submetidos a atividades de alto impacto, como o laço, e resultam do desequilíbrio entre a capacidade de resistência do tendão e as cargas mecânicas exigidas. Fatores como idade avançada, sobrecarga e alterações de conformação dos cascos contribuem para o agravamento do quadro. A adoção de um protocolo inicial com crioterapia, AINEs, bandagens compressivas e fisioterapia visa controlar o processo inflamatório e reduzir a formação de fibrose. A introdução de terapias ortobiológicas, como PRP e LAE, apresentou efeitos complementares, contribuindo para reorganização do tecido e aceleração da cicatrização. O uso da ultrassonografia foi essencial para orientar o tratamento e monitorar a resposta clínica. Em casos como o descrito, em que o retorno ao esporte não é mais viável devido à idade e à fragilidade do tecido cicatricial, a abordagem integrada com terapias regenerativas e fisioterapia permitiu melhora clínica, alívio da dor e manutenção da qualidade de vida do paciente.
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