Doença do Disco Intervertebral Cervical em Cão
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.150335Palavras-chave:
canino, compressão cervical, disco intervertebral, mielopatiaResumo
Antecedentes: A Doença do Disco Intervertebral (DDIV) representa uma das principais causas de distúrbios neurológicos em cães, sendo caracterizada pela especificação da medula espinhal e descolamento ou hérnia do disco para o canal da vértebra e forame intervertebral. Os neurológicos observados variam conforme a localização e a gravidade da medular, podendo ir de algia até tetraplegia com hipoventilação. O diagnóstico baseia-se em avaliação clínica, exame neurológico e exames de imagem, com destaque para a ressonância magnética como padrão ouro. O objetivo deste trabalho foi relatar um caso clínico de DDIV cervical em cão.
Relacionado ao caso: Um paciente canino, fêmea, sem raça definida, com 6 anos de idade e 5,3 kg, foi atendido inicialmente pela clínica geral com queixa de dificuldade para e possivelmente devido à presença de dor cervical, apresentando melhora temporária com o uso de corticosteróides. Após recidiva dos sinais clínicos ao suspender a medicação, foram solicitados exames complementares. O hemograma revelou hiperproteinemia e leucopenia, enquanto os exames bioquímicos ocorreram dentro dos parâmetros normais. A tomografia computadorizada evidenciou mielopatia compressiva secundária à extrusão discal C2-C3, com correção medular moderada e degeneração de outros discos cervicais e torácicos. Diante do diagnóstico de DDIV cervical, foi indicada a realização de cirurgia descompressiva pela técnica de slot ventral. O procedimento consistiu em abordagem ventral cervical, com fenestração do espaço intervertebral C2-C3, criando uma janela retangular no ânulo fibroso para remoção do núcleo pulposo extrusado, seguida da retirada do material do canal vertebral até visualização da medula espinhal. A paciente está disponível internada por 24 horas com suporte analgésico, anti-inflamatório e antimicrobiano. Ao fim desse período, apresentando estabilidade clínica, o paciente foi liberado com prescrição domiciliar de anti-inflamatório e antibiótico oral. No retorno após 15 dias, apresentou boa recuperação, deambulando normalmente, sem dor ou déficit postural.
Discussão: A faixa etária e a localização da lesão entre C2-C3 observadas no presente caso são compatíveis com os padrões descritos na literatura para DDIV tipo Hansen I. Apesar do paciente não ser de raça condrodistrófica, característica comum em casos desse tipo, o quadro clínico, evolução e resposta terapêutica corroboram o diagnóstico. A ausência de sinais neurológicos graves reforça que a dor cervical pode ser o único sinal clínico presente em casos de extrusão discal nessa região. Embora a ressonância magnética seja o exame de escolha para avaliação de lesões medulares, a tomografia computadorizada foi suficiente para identificar a extrusão e direcionar a conduta cirúrgica. Para descompressão da medula entre C2-C3, optou-se pelo tratamento cirúrgico, utilizando a técnica de fenda ventral, sendo a cirurgia indicada em casos de dor persistente ou presença de déficit neurológico que varia de moderado a grave. Para auxiliar na recuperação pós-cirúrgica de descompressão, a fisioterapia tem sido um protocolo terapêutico recomendado, adiantando a recuperação. No entanto, no pós-operatório do caso relatado, não foi recomendado o auxílio com fisioterapia, pois não houve necessidade, uma vez que o paciente apresentou boa resposta clínica e ausência de alterações neurológicas significativas, com retorno adequado à deambulação e ausência de algias apenas com o resultado da cirurgia. O bom prognóstico observado, mesmo sem fisioterapia, evidencia a importância da correta neurolocalização da lesão direcionando o diagnóstico e permitindo uma intervenção precoce.
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