Alterações Clínico-Patológicas Em Um Husky Siberiano Com Pentalogia De Fallot
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.148359Palavras-chave:
Tetralogia de Fallot, doença tromboembólica, síndrome da hiperviscosidade, Blalock-Taussing modificadaResumo
Introdução: A Pentalogia de Fallot (PF) é uma forma rara de cardiopatia congênita cianótica caracterizada por várias alterações anatômicas, incluindo a presença de comunicação interventricular, estenose pulmonar, aorta dextraposta, hipertrofia ventricular direita e comunicação interatrial. Essas alterações podem levar a sinais clínicos diretamente relacionados à gravidade da estenose pulmonar, que podem incluir hipóxia, dispneia, cianose, atraso no crescimento, síncope, perda de peso, ascite e morte súbita. A PF também predispõe os pacientes a eventos tromboembólicos graves. Este relato descreve os achados clínicos e patológicos em um cão jovem com PF, com foco nos eventos tromboembólicos cardiopulmonares e alterações renais.
Relato do caso: Uma cadela Siberian Husky de 5 meses, com histórico de desconforto respiratório progressivo, taquipneia, fadiga em repouso e intolerância ao exercício nos últimos 2 meses, foi diagnosticada com PF após avaliação clínica revelar bulhas cardíacas abafadas em ambos os focos mitral e tricúspide, além de ecocardiografia demonstrando diversas alterações, como comunicação interventricular perimembranosa, hipertrofia ventricular direita, comunicação interatrial do tipo ostium secundum, regurgitação tricúspide, destroposição da aorta e estenose pulmonar. O fluxo da comunicação interventricular estava desviado do ventrículo direito para a aorta. Exames laboratoriais revelaram policitemia e hipóxia severa, considerados fatores complicadores. A cadela recebeu tratamento clínico com atenolol, enalapril e ômega 3 até os 8 meses de idade, sendo então submetida a um procedimento de derivação de Blalock-Taussig modificado. Foi realizado um desvio sistêmico-pulmonar partindo da artéria subclávia esquerda para a aorta, com o objetivo de melhorar o fluxo sanguíneo pulmonar. A indicação cirúrgica foi baseada na piora dos sinais clínicos para crises cianóticas. Após o procedimento, recebeu tratamento com heparina durante a internação hospitalar, seguido por clopidogrel e atenolol para manutenção domiciliar. Quatorze dias depois, a paciente apresentou colapso respiratório e veio a óbito, em decorrência de tromboembolismo pulmonar. O exame patológico revelou comunicação entre a aorta e a artéria pulmonar, trombose do enxerto e tromboembolismo pulmonar. Os rins apresentaram áreas de infarto macroscópico, com degeneração e necrose tubular observadas microscopicamente.
Discussão: As alterações histopatológicas relacionadas ao óbito da paciente provavelmente resultaram de hipóxia, fluxo sanguíneo turbulento e síndrome de hiperviscosidade devido à policitemia severa. Essas alterações podem estar relacionadas à predisposição da PF para eventos tromboembólicos associados a uma terapia antitrombótica ineficaz no período pós-operatório, mesmo com o tratamento contínuo com heparina e o restabelecimento do fluxo sanguíneo. No entanto, mesmo com a cirurgia, cães com PF geralmente apresentam prognóstico reservado, com expectativa de vida média de dois anos com tratamento farmacológico e seis anos com abordagem cirúrgica. O monitoramento adequado e o ajuste dos protocolos terapêuticos são essenciais para melhorar os resultados e reduzir o risco de complicações graves em casos semelhantes. Além disso, o manejo adequado dos fatores predisponentes e a terapia antitrombótica são considerados essenciais para pacientes com PF.
Downloads
Referências
1 Boon J. 2011. Congenital Shunts and Atrioventicular Valve Dysplasia. In: Boon J. (Ed). Veterinary echocardiography. 2nd edn. Ames: Wiley-Blackwell, pp.437-475.
2 Brockman D., Holt D., Gaynor J. & Theman T. 2007. Long-term palliation of tetralogy of Fallot in dogs by use of a modified Blalock-Taussig shunt. Journal of the American Veterinary Medical Association. 231(5): 721-726. DOI: 10.2460/javma.231.5.721 DOI: https://doi.org/10.2460/javma.231.5.721
3 Chung W., Côte E. & Roland R. 2018. Tetralogy of Fallot with concurrent patent foramen ovale and tricuspide dysplasia in a dog. Canadian Veterinary Journal. 59(9): 993-996. DOI: 10.1139/cvja-2018-0070
4 Goggs R., Blais M., Brainard B., Chan D., DeLaforcade A., Rozanski E. & Sharp C. 2019. American College of Veterinary Emergency and Critical Care (ACVECC) Consensus on the Rational Use of Antithrombotics in Veterinary Critical Care (CURATIVE) guidelines: Small animal. Journal Veterinary Emergency and Critical Care. 29(1): 12-36. DOI: 10.1111/vec.12801 DOI: https://doi.org/10.1111/vec.12801
5 Ishiyama D., Makino E., Nakamura Y., Uchida M., Onodera Y., Chambers J., Uchida K. & Matsuda F. 2019. Clinical and postmortem findings of pentalogy of Fallot in an 18-month-old Holstein heifer. Journal of Veterinary Medical Science. 81(11): 1676-1679. DOI: 10.1292/jvms.19-0147 DOI: https://doi.org/10.1292/jvms.19-0147
6 Kiran U., Aggarwal S., Choudhary A., Uma B. & Kapoor P. 2017. The Blalock and Taussing Shunt Revisited. Annals of Cardiac Anaesthesia. 20 (3): 323-330. DOI: 10.4103/aca.ACA_80_17 DOI: https://doi.org/10.4103/aca.ACA_80_17
7 Lenz C., Rebel A., Waschke K., Koehler R. &Frietsch T. 2008. Blood viscosity modulates tissue perfusion: sometime and somewhere. Transfusion Alternatives in Transfusion Medicine. 9(4): 265-272. DOI: 10.1111/j.1778-428X.2007.00080.x DOI: https://doi.org/10.1111/j.1778-428X.2007.00080.x
8 Park I., Lee H., Kim J., Lee J., Lee S. & Hyun C. 2007. Pentalogy of Fallot in a Korean Sapsaree Dog. Journal of Veterinary Medical Science. 69(1): 73-76. DOI: 10.1292/jvms.69.73 DOI: https://doi.org/10.1292/jvms.69.73
9 Pazzi P., Lim C. & Steyl J. 2014. Tetralogy of Fallot and atrial septal defect in a White Bengal Tiger cub (Panthera tigris tigris). Acta Veterinaria Scandinavica. 56(1): 12. DOI: 10.1186/1751-0147-56-12 DOI: https://doi.org/10.1186/1751-0147-56-12
10 Pielmeier R., Engelke E., Legler M., Haist V., Hopster-Iversen C. & Distl O. 2013. Congenital cardiac anomalies (pentalogy of Fallot) in a two year old ram with brachygnathia inferior. Berliner und Munchener Tierarztliche Wochenschrift. 126(5): 256-263.
11 Rao O. 2013. Consensus on Timing of Intervention for Common Congenital Heart Diseases: Part II – Cyanotic Heart Diseases. The Indian Journal of Pediatrics. 80(8): 663-674. DOI: 10.1007/s12098-013-1039-2 DOI: https://doi.org/10.1007/s12098-013-1039-2
12 Reyes E. & Roach E. 2014. Neurological complicants of congenital heart disease and its treatment. In: Biller J. & Ferro M. (Eds). Handbook of Clinical Neurology. 3rd edn. Amsterdam: Elsevier, pp.49-59. DOI: https://doi.org/10.1016/B978-0-7020-4086-3.00005-9
13 Scaglione F., Tursi M., Chiappino L., Schroder C., Triberti O. & Bollo E. 2012. Pentalogy of Fallot in a captive Siberian Tiger (Panthera tigris altaica). Journal of Zoo and Wildlife Medicine. 43(4): 931-933. DOI: 10.1638/2011-0269R1.1 DOI: https://doi.org/10.1638/2011-0269R1.1
14 Strickland K. 2008. Congenital heart disease. In: Tilley L.P., Smith F.W.K., Oyama M.A. & Sleeper M.M. (Eds). Manual of Canine and Feline Cardiology. 4th edn. St. Louis: Elsevier Saunders, pp.215-239. DOI: https://doi.org/10.1016/B978-141602398-2.10012-9
15 Ware W. 2007. Congenital Cardiovascular Diseases. In: Ware W. (Ed). Cardiovascular Disease in Small Animal Medicine. London: Manson Publishing, pp.227-261.
Arquivos adicionais
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Vitor Eduardo Arantes de Barros, Monique Machado Louredo Bombardelli, Filipe Augusto Sales, Rafaela Rodrigues Ribeiro, Adilson Donizeti Damasceno, Rosângela Alves Carvalho, Veridiana Maria Brianezi Dignani de Moura

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
This journal provides open access to all of its content on the principle that making research freely available to the public supports a greater global exchange of knowledge. Such access is associated with increased readership and increased citation of an author's work. For more information on this approach, see the Public Knowledge Project and Directory of Open Access Journals.
We define open access journals as journals that use a funding model that does not charge readers or their institutions for access. From the BOAI definition of "open access" we take the right of users to "read, download, copy, distribute, print, search, or link to the full texts of these articles" as mandatory for a journal to be included in the directory.
La Red y Portal Iberoamericano de Revistas Científicas de Veterinaria de Libre Acceso reúne a las principales publicaciones científicas editadas en España, Portugal, Latino América y otros países del ámbito latino