Carcinoma colangiocelular extra-hepático em gato

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.147468

Palavras-chave:

Oncologia, Neoplasia, Colangiocarcinoma, Colecistoduodenostomia

Resumo

Background: Neoplasias hepatobiliares primárias são infrequentes na rotina clínica veterinária, correspondendo a apenas 1,5 a 2,3% da casuística oncológica em gatos. Dentre elas, o carcinoma colangiocelular extra-hepático (CCEH), também chamado de colangiocarcinoma, é a forma maligna mais comum. Trata-se de uma neoplasia com etiologia desconhecida, potencial metastático considerável e prognóstico ruim. O presente tem como objetivo relatar um caso de CCEH em gato de 14 anos, em que o tratamento de eleição foi a excisão cirúrgica do colédoco com desvio de fluxo biliar através da colecistoduodenostomia.

 

Case: Foi atendido um paciente felino, fêmea castrada, sem raça definida (SRD), de 14 anos de idade, com a queixa de êmese e prostração com início agudo.  Foram solicitados exames complementares, incluindo hemograma, perfil bioquímico e ultrassonografia (US) abdominal. Nas análises clínicas, notou-se um plasma e soro intensamente ictéricos, linfócitos reativos e rouleaux eritrocitário. A bioquímica sérica demonstrou aumento de proteína plasmática total, alanina aminotransferase, fosfatase alcalina e gama glutamil transferase, além do aumento de bilirrubina total. O US mostrou vesícula biliar, ductos biliares intra-hepáticos e ducto biliar comum dilatados, o último associado a uma estrutura intraluminal em porção distal. Foi realizada a excisão cirúrgica da massa numa celiotomia exploratória e a colecistoduodenostomia, seguido de análise histopatológica. No pós-operatório, foi instituído um protocolo com fluidoterapia, ceftriaxona, metadona, dipirona, dexametasona, remifentanil, e posteriormente foi necessário a inclusão de cerenia, mirtazapina, metoclopramida, glicose e noradrenalina. Na análise histopatológica, a massa apresentava células neoplásicas cuboides com citoplasma escasso, eosinofílico, cromatina densa, fibroplasia, pleomorfismo celular, anisocariose, anisocitose e, em média, 5 figuras de mitose em área de 2,37mm². Tais achados são compatíveis com o diagnóstico de CCEH.

 

Discussion: Apesar das neoplasias primárias de sistema hepatobiliar serem incomuns na onocologia de pequenos animais, o colangiocarcinoma é a neoplasia maligna do sistema mais comum em gatos. Por ser incomum e apresentar sinais clínicos inespecíficos, é considerado um desafio ao médico veterinário, levando muitas vezes à piora do prognóstico pelo diagnóstico tardio da doença e o alto risco de metástase. O diagnóstico definitivo é feito somente pelo exame histopatológico. As opções de tratamentos são limitadas, se resumindo à excisão cirúrgica com margens livres e tratamento paliativo por não haver ainda estudos suficientes para apresentar um protocolo quimioterápico ou radioterápico eficiente. Frequentemente nesses procedimentos, faz-se necessário também o desvio de fluxo biliar, como a colecistoduodenostomia. O prognóstico de obstrução biliar extra-hepática secundário a neoplasias com necessidade de desvio de fluxo é desfavorável devido a complicações anestésicas e pós-operatórias, levando a uma sobrevida curta de 14 a 31 dias. Vale ressaltar nestes casos a importância de exames de imagens com alta sensibilidade para investigação de metástases, como a ressonância magnética e tomografia computadorizada, apesar de serem procedimentos onerosos e, consequentemente, um impedimento para o médico veterinário no Brasil. É de suma importância estudos mais aprofundados sobre a patologia da doença e seus protocolos terapêuticos para melhor direcionar os profissionais em ocasiões futuras.

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Arquivos adicionais

Publicado

2026-04-07

Como Citar

Beatriz Coury Santos, L., Ferranti, O., Dias, M. A. da C., Zimmermann, A. C. R. S., & Pereira, M. A. M. (2026). Carcinoma colangiocelular extra-hepático em gato. Acta Scientiae Veterinariae, 54. https://doi.org/10.22456/1679-9216.147468

Edição

Seção

Case Report

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