Adenocarcinoma gástrico difuso pouco diferenciado em cão
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.147268Palavras-chave:
canino, histopatologia, neoplasia gástricaResumo
ABSTRACT
Background: Neoplasias gástricas representam menos de 1% dos casos de neoplasias na espécie canina. Sua ocorrência é rara, sendo predominantemente em cães machos com idade superior a nove anos. Os sinais clínicos são inespecíficos e incluem vômitos, anorexia e perda de peso. Macroscopicamente, ele pode manifestar-se de maneira exofítica ou séssil. O diagnóstico é estabelecido microscopicamente a partir da evidenciação de células neoplásicas geralmente não agregadas entre si. O objetivo do trabalho é relatar as principais características macroscópicas e microscópicas de um caso de adenocarcinoma gástrico difuso pouco diferenciado em região da cárdia em uma cadela de oito anos de idade.
Case: Foi atendida uma cadela de oito anos de idade, da raça Buldogue Francês, que apresentava inapetência, regurgitação e emagrecimento progressivo. No exame físico, as mucosas estavam hipocoradas, havia lesão ulcerativa na língua, sialorreia e abdômen distendido. Foi solicitado o exame de endoscopia digestiva que revelou um quadro leve de gastrite, e a biópsia da língua diagnosticou glossite ulcerativa focalmente extensa com tecido de granulação. Apesar do tratamento, após dois meses, decidiu-se pela eutanásia devido a evolução do quadro. Na necropsia, havia na língua uma lesão ulcerada. Na região da cárdia do estômago, havia espessamento e ao corte, uma massa brancacenta e firme ocupando a parede dessa região entre mucosa e serosa. Havia ainda na mucosa do estômago, três áreas de ulceração e os linfonodos gástricos e mesentéricos estavam reativos. A avaliação microscópica identificou, na língua, acentuada ulceração focalmente extensa, com neutrófilos e formação de tecido de granulação subjacente, no estômago, havia uma proliferação neoplásica infiltrativa de células epiteliais individuais ou em pequenos agregados, circundados por abundante estroma colagenoso. Portanto, através dos sinais clínicos e os achados macroscópicos e microscópicos, estabeleceu-se o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico difuso pouco diferenciado em região de cárdia.
Discussion: O adenocarcioma gástrico é raro em cães, geralmente afeta cães machos, com mais de nove anos. As neoplasias gástricas mais comuns são de origem epitelial e malignas, sendo o adenocarcinoma responsável por aproximadamente 60 a 70% dos casos. O corpo gástrico, piloro e curvatura maior foram as regiões anatômicas mais comumente afetadas nos cães. Além disso, as lesões são normalmente ulceradas, hemorrágicas e culminam com estenose. No caso relatado, tratava-se de uma cadela da raça Buldogue Francês de oito anos com a neoplasia localizada em região do cárdia sem ulceração e hemorragia, o que corrobora para o caso incomum. Histologicamente, os carcinomas gástricos são caracterizados por crescimento infiltrativo da camada mais profunda da mucosa para submucosa, muscular e serosa. O tipo difuso, mais prevalente nos cães, é composto por células anaplásicas, altamente invasivo, apresentando acentuada desmoplasia. No presente relato, a proliferação neoplásica era infiltrativa, com células epiteliais individuais e por vezes em agregados. Além de acentuado pleomorfismo celular e nuclear, havia numerosos êmbolos de células neoplásicas no interior de vasos linfáticos. O prognóstico dos cães com carcinoma gástrico é ruim. A sobrevida varia de 0 a 10 meses a partir do diagnóstico. Há alta probabilidade de recidiva ou, em muitos casos, óbito. No caso descrito neste relato, o diagnóstico definitivo foi realizado após o óbito pela histopatologia, o que impediu a implementação de um tratamento eficaz. A citologia e a histologia não mostraram metástases, mas não pode se descartar a possibilidade diante da falta do exame de imuno-histoquímica que poderia elucidar melhor a presença de células neoplásicas em outros órgãos, inclusive podendo elucidar a origem da inflamação na língua.
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