Quimiodectoma infiltrativo atrial metastático em cão
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.144046Palavras-chave:
primary neoplasm, heart, chemoreceptors, immunohistochemistryResumo
Introdução: Neoplasias cardíacas são raras em cães, tipicamente afetando animais de 7 a 15 anos. Esses tumores podem ser primários ou secundários, benignos ou malignos. O quimiodectoma, um tumor cardíaco primário, é incomum em cães. Este relato visa descrever os sinais clínicos, abordagens diagnósticas e progressão de um cão com quimiodectoma maligno metastático.
Caso clínico: Uma cadela sem raça definida, castrada, de 8 anos e 20 kg, foi avaliada devido a uma história de 1 mês de perda de peso, linfadenomegalia e edema na face e região submandibular.
A cadela apresentava sinais de apatia, sons cardíacos abafados e sopro sistólico de grau I-II. Radiografias torácicas revelaram efusão pleural, que foi drenada. O ecocardiograma identificou uma massa de 4 cm x 6,89 cm na parede aórtica comprimindo o átrio direito. O exame de tomografia computadorizada mostrou um coração com configuração e dimensões dentro dos padrões da espécie, e uma estrutura amorfa de 6,6 cm x 5,8 cm na base do coração, entre os átrios, com captação aumentada de contraste. O tutor optou por cuidados paliativos, mas a condição do animal se deteriorou, levando à eutanásia após 2 meses. A necropsia revelou uma massa multilobulada na base do coração com infiltração atrial. A histologia sugeriu uma neoplasia compatível com quimiodectoma maligno metastático ou feocromocitoma. A imunohistoquímica com marcadores neuroendócrinos confirmou o diagnóstico de quimiodectoma, mostrando resultados fortemente positivos para sinaptofisina e cromogranina.
Discussão: O diagnóstico de neoplasias cardíacas é baseado em histórico clínico, exame físico, radiografias torácicas e ecocardiograma. O ecocardiograma é considerado altamente específico e sensível para detectar e caracterizar massas na presença de efusão pericárdica, mas possui precisão moderada como diagnóstico presuntivo em relação ao tipo de tumor. No presente relato, foram realizados todos esses exames, além de tomografia computadorizada, que ajudou a determinar a extensão da lesão e o grau de envolvimento das estruturas adjacentes. Embora o exame citológico do líquido pleural tenha sido realizado, as células do quimiodectoma não se descamam, de forma que o exame do líquido drenado da cavidade pleural ou pericárdica não contribui para o diagnóstico. Por outro lado, a coleta de amostras de massas cardíacas, seja por aspirado com agulha fina ou biópsias, embora viável, é frequentemente evitada devido ao risco potencial de arritmia e hemorragia. Por isso, o diagnóstico in vivo da doença é desafiador.
Apesar de os achados histopatológicos observados neste caso serem semelhantes aos já descritos, como células ovais ou cúbicas a poliédricas, com citoplasma granular vacuolado, núcleo redondo a oval e estroma fibrovascular, o diagnóstico foi considerado inconclusivo, sendo necessário realizar o exame imunohistoquímico. Embora não sejam específicos, os marcadores neuroendócrinos indicados para melhor caracterização dos quimiodectomas incluem cromogranina A, sinaptofisina e enolase neuroespecífica, entre outros. Neste relato, foram utilizados os marcadores sinaptofisina e cromogranina. O marcador neuroendócrino sinaptofisina é considerado de amplo espectro e maior sensibilidade, mas possui menor especificidade em comparação ao anticorpo cromogranina A. Em tumores malignos, a cromogranina A pode ser menos marcada, já que o número de grânulos secretores é reduzido.
Em conclusão, este caso clínico enfatiza que o subdiagnóstico de quimiodectomas pode ser evitado por meio do histórico e de exames complementares, como histopatologia e imunohistoquímica, possibilitando melhor orientação no tratamento e prognóstico do animal.
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