A cidade é, antes de tudo, uma construção da linguagem. Para além de sua materialidade de concreto e asfalto, o espaço urbano é tecido por narrativas que o definem, contestam-no e o reinventam. Este dossiê convidou pesquisadores, críticos e ensaístas a submeter trabalhos que investigassem as representações artísticas de Porto Alegre produzidas a partir de 2009 até o momento presente, com ênfase na produção literária e suas interfaces com outras manifestações culturais. O recorte temporal proposto (2009–2025) abarca um período de intensa transformação na paisagem física e simbólica da capital gaúcha. Observamos, neste intervalo, o surgimento e a consolidação de vozes que tensionam a cartografia oficial da cidade, deslocando o olhar das rotas tradicionais para territórios, becos, vielas e praças muitas vezes invisibilizados. Buscamos artigos que analisem como a literatura contemporânea (romance, conto, crônica, poesia, slam) e as artes performativas (teatro de rua, intervenções urbanas) operam como formas de ocupação do espaço público. Interessa-nos discutir: De que modo a ficção recente reconfigura o mapa mental de Porto Alegre? Como as tensões entre centro e periferia, ou entre a cidade planejada e a cidade vivida, se manifestam na estética das obras? Este dossiê buscou mapear uma "Porto Alegre de papel e corpo", onde a arte funciona não apenas como espelho da realidade urbana, mas como dispositivo de disputa pelo direito à cidade, à memória e à existência.