Registro imediato da prosa contemporânea urbana sul-rio-grandense, a obra Os supridores, de José Falero, desenvolve-se em representações de Porto Alegre como uma cidade marcada por projetos de modernização que amplificaram o abismo entre os super-ricos e os miseráveis. A partir de perspectivas sobre como a literatura brasileira atual busca refletir a realidade social, pretende-se captar como os espaços urbanos são negados por uma hierarquia de poder que opera prejuízos especialmente de classe. Para tanto, busca-se embasamento em autores que analisam as consequências de projetos urbanos moldados sobre construtos coloniais. A leitura avança sobre problemas como a violência e a necessidade de sobrevivência diante de um capitalismo arraigado, que drena a consciência dos próprios protagonistas e provoca reviravoltas éticas que indicam um futuro sempre vez mais borrado aos herdeiros do desprestígio histórico.