A biblioteca, a sobrevivência e o sonambulismo da história
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.65216Resumo
Flávio de Carvalho, no relato de viagens Os ossos do mundo (1936), bem como na série de ficção-teórica “Os gatos de Roma/Notas para a reconstrução de um mundo perdido” (Diário de S. Paulo, 1957-1958) dialoga com inúmeras disciplinas (a estética, a psicanálise, a antropologia, a literatura). Portanto, o seu pensamento se insere em um espaço híbrido constituído pela afinidade entre os mecanismos, e não pelos limites de um gênero. Dada a sua proximidade com a antropologia social inglesa e com a obra de Jacob Burckhardt, esses textos se remetem ao método do historiador da arte Aby Warburg de organizar a sua biblioteca e às colaborações deixadas por Edgar Wind no Journal of the Warburg and Courtauld Institutes (1937; 1938-1939). Esses intelectuais recorrem à relação entre a antropologia e a estética para formularem uma noção gestual de imagem e de tempo como sobrevivência.