História do direito - ciência, interpretação e tradição
DOI:
https://doi.org/10.22456/0104-6594.139911Resumen
A doutrina jurídica precisa pressupor certos princípios ou antecedentes lógicos na sua interpretação dos conceitos jurídicos presentes no direito positivo. Um desses princípios é o de que a lei possui um aspecto temporal. Ela não pode ser retroativa, por exemplo, dado o seu papel orientador da ação. Ao mesmo tempo, os conceitos que a doutrina discute conceitos com vistas a estabilizar no tempo as relações jurídicas. Quando uma interpretação recebe aceitação, ela passa a molda instituições e decisões que tendem a permanecer. O presente artigo defende que a história da cultura jurídica deve levar em conta esses aspectos acerca da natureza do direito a partir das discussões doutrinárias, mais do que se voltar apenas à letra da lei vigente de cada período. A doutrina ajuda a definir as condições de inteligibilidade de um sistema jurídico discutindo o sentido dos conceitos. Para reforçar o argumento do artigo, trabalha-se com dois exemplos da passagem do antigo regime para o império no Brasil do século XIX: a recepção da doutrina da separação dos poderes e a relação dos aplicadores do direito com uma nova concepção das fontes do direito.
Descargas
Citas
AJELLO, Rafaelle. Epistemologia moderna e storia delle esperienze giuridiche. Napoli: Jovene, 1986.
ALMEIDA, Cândido Mendes de. Auxiliar jurídico. Rio de Janeiro: Inst. Philomathico, 1869.
ARISTÓTELES. Nicomachean ethics. In: BARNES, Jonathan. The complete works of Aristotle. Princeton (NJ): Princeton Univ. Press, 1995.
ARISTÓTELES. Physics. In: BARNES, Jonathan. The complete works of Aristotle. Princeton (NJ): Princeton Univ. Press, 1995.
ASCARELLI, Tulio. Premesse allo studio del diritto comparato. In: ASCARELLI, Tùlio. Saggi giuridici. Milano: Giuffrè, 1949.
BAPTISTA, Francisco de Paula. Compendio de theoria e pratica do processo civil comparado com o commercial e de hermeneutica jurídica. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Garnier, 1890.
BETTI, Emilio. Interpretazione della legge e degli atti giuridici. Milano: Giuffrè, 1971.
BRETONE, Mario. Tradizione ed ermeneutica. In: BRETONE, Mario. Diritto e tempo nella tradizione europea, 2ª ed. Roma/Bari: Laterza, 1994.
CAROATÁ. José Próspero Jehovah da Silva (Ed.). Imperiaes resoluções tomadas sobre consultas do secção de justiça do Conselho de Estado desde 1842 quando começou a funcionar até hoje. Vol. 2. Rio de Janeiro: Garnier, 1884.
CARVALHO, Carlos Augusto de. Direito civil brasileiro recopilado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1899.
CASTORIADIS, Cornelius. A instituição imaginária da sociedade. Trad. G. Reynaud. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
FREIRE, Pascoal José de Melo. Historiae juris civilis lusitani. Conimbricae: Typis Academicis, 1860.
FREYRE, Gilberto. Ordem e progresso. 6ª. ed. São Paulo: Global, 2004.
GRONDIN, Jean. Hans-Georg Gadamer: una biografia. Barcelona: Herder, 2000.
KORSGAARD, Christine. Self-constitution: agency, identity and integrity. Oxford: Oxford University Press, 2009.
LOPES, José Reinaldo de Lima. As palavras e a lei: direito, ordem e justiça no pensamento jurídico moderno. 2ª. ed. São Paulo: Madamu, 2021.
LOPES, José Reinaldo de Lima. História da justiça e do processo no Brasil do século XIX. Curitiba: Juruá, 2017.
MARX, Karl. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. In: MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
MURATORI, Ludovico A. Dei difetti della giurisprudenza. Venezia: G. Pasquali, 1742.
OST, François. O tempo do direito. Trad. E. Fernandes. Bauru (SP): EdUSC, 2005.
PIMENTA BUENO, José Antônio. Direito publico brasileiro e analyse da constituição do Imperio. Rio de Janeiro: J. Villeneuve & Co., 1857.
POCOCK, J. G. A. Politics, language & time. Chicago: University of Chicago Press, 1989.
PORTALIS, Jean-Étienne-Marie. Discours prélimaire du premier projet de Code civil. Bordeaux: Confluences, 1999.
PORTUGAL, Domingos Antunes. Tractatus de donationibus Regius in duos tomos divisus. Lugduni: Anisson & Possuel, 1649.
RIBAS, Antônio Joaquim. Curso de direito civil brasileiro, parte geral. Rio de Janeiro: Laemmert, 1865.
RICOEUR, Paul. From text to action: essays in hermeneutics II. Evanston (IL): Northwestern, 1991.
RICOEUR, Paul. História e verdade. Trad. F. A. Ribeiro. Rio de Janeiro: Forense, 1968.
SAVIGNY, Friedrich Carl von. Sistema del derecho romano actual. Trad. J. Mesia, M. Poley. Granada: Comares, 2005.
STOLLEIS, Michael. Condere leges est interpretari. Gesetzgebungsmacht und Staatsbildung in der frühen Neuzeit. In: STOLLEIS, Michael. Staat und Staaträson in der frühen Neuzeit. Frankfurt: Suhrkamp, 1990.
TAYLOR, Charles. Irreducibly social goods. In: TAYLOR, Charles. Philosophical arguments. Cambridge (MA): Harvard, 1995.
TEIXEIRA DE FREITAS, Augusto. Consolidação das leis civis. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Garnier, 1875.
TRIGO DE LOUREIRO, Lourenço. Instituições de direito civil brasileiro. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Garnier, 1871 (fac-símile Brasília: Senado Federal, 2004).
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. São Paulo: Nova Cultural, 1991.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2024 Revista da Faculdade de Direito da UFRGS

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial 4.0.
A revista reserva os direitos autorais dos textos publicados.
Licença: CC Attribution-NonCommercial 4.0
![]()
As opiniões expressadas nas publicações são de responsabilidade do autor e não necessariamente expressam a opinião da revista.