“ROUGH JUSTICE” VERSUS REPARAÇÃO INTEGRAL

(IN)CONSTITUCIONALIDADE DA REPACTUAÇÃO DOS DANOS SOCIOAMBIENTAIS DO CASO MARIANA

Authors

Abstract

A justiça brasileira enfrenta desafios na reparação de danos socioambientais, especialmente em casos de grande escala como o desastre de Mariana, que resultou em perdas humanas, destruição de ecossistemas e profundos impactos sociais e psicológicos, de modo a exigir firme atuação do Poder Judiciário, na sua função de governança judicial ecológica, para garantia da efetiva reparação dos danos socioambientais. O presente artigo analisa a aplicação do sistema indenizatório simplificado (“rough justice”) e a sua compatibilidade com a efetivação do princípio da reparação integral, o qual exige a restauração do meio ambiente e a compensação por danos materiais e extrapatrimoniais. A pesquisa, de caráter qualitativo, adota como metodologia a análise documental de decisões judiciais, acordos e legislação, além da revisão bibliográfica sobre o tema. Os resultados demonstram que a aplicação de apuração judicial simplificada de danos, muito embora célere, pode gerar injustiças, de sorte a perpetuar sentimento de insatisfação das vítimas, pois desconsidera as peculiaridades de cada caso concreto e a extensão dos danos individuais. Em 2024, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela homologação da repactuação de indenização de valores ofertados em favor das vítimas de Mariana, restando, contudo, dúvidas sobre a efetivação da reparação integral. Nesse cenário, a individualização da reparação, a implementação de políticas públicas eficazes e a participação ativa das vítimas são essenciais para a efetividade da justiça ecológica e à concretização do princípio da reparação integral.

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Author Biographies

EMETÉRIO SILVA DE OLIVEIRA NETO, UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Pós-Doutor em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor Adjunto da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). Autor de diversos livros jurídicos e artigos científicos publicados em revistas especializadas. Advogado.

LUCIANO NUNES MAIA FREIRE, UNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)

Doutorando em Direito Constitucional e Teoria Política pela Universidade de Fortaleza (2024). Mestre em Ciência Política pela Universidade de Lisboa (2020). Desembargador Eleitoral Titular do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE/CE). Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ/CE). Juiz Coordenador do Núcleo de Cooperação Judiciária do TJ/CE. Conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), de 2017 a 2021, período no qual também exerceu a presidência da Comissão de Defesa de Direitos Fundamentais (CDDF), Comissão do Meio Ambiente (CMA) e da Estratégia Nacional de Segurança Pública (ENASP). Integrou a composição inicial do Observatório Nacional de Grandes Desastres Socioambientais, instituído em 2019, pelas presidências do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Juiz Assessor Interinstitucional do CNJ/CNMP, de 2021 a 2023.

GINA VIDAL MARCÍLIO POMPEU, UNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)

Pós-Doutora em Direito Econômico pela Universidade de Lisboa (UL), Lisboa, Portugal. Pós-Doutora em Direitos Humanos, Econômicos e Responsabilidade Social pela Université Havre, Le Havre, França. Doutora em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife/PE, Brasil. Mestre em Direito e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza/CE, Brasil. Graduada em Direito pela UFC. Professora titular de Direito Constitucional e do Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional na Universidade de Fortaleza (UNIFOR), Fortaleza/CE, Brasil. Advogada.

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Published

2025-12-31

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SILVA DE OLIVEIRA NETO, EMETÉRIO; NUNES MAIA FREIRE, LUCIANO; VIDAL MARCÍLIO POMPEU, GINA. “ROUGH JUSTICE” VERSUS REPARAÇÃO INTEGRAL: (IN)CONSTITUCIONALIDADE DA REPACTUAÇÃO DOS DANOS SOCIOAMBIENTAIS DO CASO MARIANA. Revista da Faculdade de Direito da UFRGS, Porto Alegre, n. 59, p. 103–126, 2025. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/revfacdir/article/view/146720. Acesso em: 10 sep. 2026.