O direito nos bosques da ficção

caminhos e descaminhos da narrativa jurídica

Autores

  • Victor Hugo de Santana Agapito Universidade de Brasília

Resumo

Este artigo procura deslocar a metáfora dos bosques de Umberto Eco para o processo judicial, compreendendo-o como texto institucional que organiza trilhas de sentido e fabrica um leitor-modelo. Defende-se que o procedimento não apenas recolhe narrativas sociais: ele as reconverte em gênero processual, selecionando fatos, reordenando temporalidades e distribuindo credibilidade por critérios de pertinência e prova. O foco recai sobre a cultura da celeridade e seus custos hermenêuticos: a pressa comprime linguagem e tempo, naturaliza elipses argumentativas, padronizações decisórias e encurtamentos da instrução e altera o que pode ser narrado, provado e contraditado. Assim, desigualdades aparecem como desigualdades de leitura e de acesso às convenções do gênero. A análise mobiliza leitor-modelo, lacunas e horizontes de expectativa, além de categorias narratológicas do tempo e da voz. Conclui-se que garantias processuais incluem garantias de legibilidade pública efetiva como condição de participação.

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Publicado

22-06-2026

Como Citar

DE SANTANA AGAPITO, Victor Hugo. O direito nos bosques da ficção: caminhos e descaminhos da narrativa jurídica. Res Severa Verum Gaudium, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 267–293, 2026. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/resseveraverumgaudium/article/view/154288. Acesso em: 3 ago. 2026.