MAPEAMENTO DA POLÍTICA EXTERNA DA ARGÉLIA NA ÁFRICA POR MEIO DA ANÁLISE DE REDES COMPLEXAS: DINÂMICA DE SEGURANÇA E ENERGIA (2019–2025)
DOI:
https://doi.org/10.22456/2448-3923.148664Palavras-chave:
Argelino, África, Segurança, EnergiaResumo
Este artigo explora a evolução da política externa da Argélia na África entre os anos 2019 e 2025 sob a ótica da análise de redes complexas (ARC). Embora a Argélia tradicionalmente tenha mantido laços bilaterais seletivos com países africanos, desenvolvimentos recentes revelam uma mudança em direção a parcerias mais densas, diversificadas e estrategicamente integradas — particularmente nos domínios da diplomacia energética e da cooperação em segurança. A literatura existente frequentemente trata o engajamento africano da Argélia como reativo ou ideologicamente motivado. Este estudo desafia essa narrativa ao levantar a seguinte questão: Em que medida a Argélia adotou uma estratégia de política externa coerente e em rede em todo o continente? A hipótese central sustenta que a Argélia está se reposicionando como orquestradora regional por meio da construção de redes multinodais, institucionalmente estruturadas e infraestruturalmente fundamentadas, que fortalecem sua autonomia estratégica e influência regional. Para testar essa hipótese, o estudo adota uma abordagem de método misto, combinando análise qualitativa de conteúdo com análise quantitativa de redes. Dados empíricos foram coletados de fontes oficiais e mapeados utilizando o Gephi, um software de código aberto para visualização e análise de redes. Os vínculos ponderados foram atribuídos com base na profundidade, diversidade e institucionalização dos engajamentos bilaterais e multilaterais. Os resultados revelam uma estrutura hierarquizada e regionalmente agrupada: a Argélia mantém laços de alta densidade com vizinhos do Magrebe, como Tunísia e Líbia, parcerias estratégicas de infraestrutura com países como Nigéria e Níger, e vínculos emergentes com Estados subsaarianos, como Zimbábue e Uganda. Indicadores de rede, como grau de centralidade e modularidade, confirmam o papel da Argélia como um nó central nas arquiteturas de energia e segurança de África. Os resultados sugerem uma transição deliberada do bilateralismo para o regionalismo estrutural, posicionando a Argélia como um mediador estratégico em um sistema continental cada vez mais interligado.
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