Este artigo analisa as protagonistas dos contos “Os laços de família” (2009 [1960]), de Clarice Lispector, e Identical Apartments (2016 [1974]), de Park Wan Seo, a partir de uma abordagem comparatista que, articulando crítica literária feminista e psicanálise, investiga a tensão entre subordinação a papéis sociais e investigação da própria subjetividade. Problematizando a primazia do falogocentrismo a partir de Hélène Cixous, lança mão de conceitos de Luce Irigaray e Jacques Lacan explorando a possibilidade de convivência entre suas diferentes lógicas; respectivamente, a da mutualidade e a da alteridade. Considerando pormenores históricos brasileiros e sul-coreanos, o estudo descreve similaridades das vivências femininas em diferentes contextos, observando em especial o comportamento das personagens quando das interações com outros sujeitos.