Este artigo examina a passagem do flâneur benjaminiano para o pornoflâneur no romance Pornopopéia, de Reinaldo Moraes. Partindo da análise de Walter Benjamin sobre o declínio do flâneur clássico — reduzido à figura do homem-sanduíche no capitalismo moderno —, o estudo explora como o protagonista Zeca encarna uma versão contemporânea desse arquétipo, marcada pela exposição violenta do corpo, pelo voyeurismo e pela narcotização da experiência urbana. Discute-se a transformação do flâneur em agente pornográfico, cuja narrativa caótica reflete a degradação da metrópole sob a lógica mercantil. Conclui-se que o pornoflâneur é sintoma da crise da subjetividade na modernidade tardia.