Esta resenha analisa Vênus, de Suzan-Lori Parks, uma peça inspirada na trágica história de Saartjie Baartman, uma mulher sul-africana explorada e objetificada na Europa do século XIX. Baseando-se na teoria feminista negra, especialmente no conceito de "imagens controladoras" de Patricia Hill Collins, a resenha explora como a história de Baartman exemplifica opressões interseccionais de raça, gênero e classe. A peça retrata a transformação de Baartman na "Vênus Hotentote", expondo como ideologias colonialistas e patriarcais a reduziram a um corpo fetichizado e desumanizado, tanto para estudo científico quanto para espetáculo público. A estrutura de Parks, o uso do inglês negro, a alegoria e a cronologia invertida enfatizam temas de fragmentação, objetificação e a violência do olhar ocidental. A resenha destaca como Vênus critica o pensamento binário e o legado histórico da exploração racial e sexual, mostrando que a experiência de Baartman reflete sistemas de opressão em curso que continuam a moldar a vida de muitas das mulheres negras ainda hoje.