Este artigo analisa o romance Em breve cárcere, de Sylvia Molloy, com foco nas cenas de leitura e escrita que configuram experiências autobiográficas fragmentárias, aqui compreendidas como autobiografemas, conceito derivado da ideia de biografema, proposta por Roland Barthes. A escrita surge como tentativa de elaboração subjetiva, em que a narradora busca acessar tanto sua interioridade quanto o outro. A partir do conceito de obliquação, discutido por José Miguel Wisnik, examina-se como o eu se constitui em relação ao outro, e como essa tensão atravessa o texto. Marcada por incertezas, lapsos e invenções, a escrita se apresenta como processo de busca e resistência frente à impossibilidade de apreensão plena da memória.