Charles de Brosses apresentou o fetichismo em seu livro Du Culte des Dieux Fétiches (1760). Desde então, o termo adquiriu importância e recorrência no pensamento moderno nas mais diversas áreas do conhecimento. Este trabalho interpreta as ideias originárias desse autor acompanhando o uso do termo, mostrando que sua utilização traz um registro de preconceito étnico e civilizatório ao caracterizar o fetichista, identificado com o “negro africano”, como portador de uma falha evolutiva que o desqualifica, em sua expressão e em sua representação: está fora do tempo histórico e do espaço representável no logos. A imputação do fetichismo justifica a colonização e a escravização forçada, sujeitando e alienando as pessoas do direito de escolha sobre seus corpos e seu trabalho.