Durval Albuquerque, em A invenção do Nordeste (2011), analisa os efeitos de verdade produzidos por teias de práticas e de discursos de cunho regionalista ao longo do século XX, que moldaram os imaginários sociais em torno da região nordeste no país. Seguindo a trilha de Marc Ferro e da Escola dos Analles, que toma as artes como fonte histórica, permitindo analisar os modos como essa região foi enunciada no cinema, propomos uma leitura de alguns filmes nacionais, como O Cangaceiro (1953), Deus e o diabo na terra do Sol (1964) e Bacurau (2019), a partir do olhar tecido pelo professor paraibano sobre temas e estereótipos nordestinos explorados nestes filmes em seus respectivos contextos histórico-sociais.