"Lendo o baralho": O olhar, as impressões e as relações de um grupo de senhoras com a rede de usuários e vendedores de drogas em uma Vila de Porto Alegre
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.9245Resumo
Tudo começou porque eu queria pesquisar um grupo de usuários de crack do Morro da Cruz, do qual já venho tentando me aproximar em função de meu trabalho como Agente Redutor de Danos (Bastos; Mesquita & Marques, 1998; Brasil, 2003; Piccolo, 2001, Gregis, 2002). Pensei que poderia unir as duas coisas – trabalho e academia – utilizando a segunda como desculpa para uma aproximação, tão importante ao primeiro.
Sendo este um trabalho para uma cadeira introdutória, e não sendo este o momento ideal para um projeto que envolva problemas de ordem ética (como o sigilo e a periculosidade, por exemplo), recebi a orientação para escolher um outro universo de pesquisa. Como não quisesse abrir mão do tema do consumo de drogas, pensei em utilizar uma espécie de “escudo protetor”, a partir do qual eu poderia olhar para o problema de maneira diagonal. Para tanto, a opção por grupos geográfica e socialmente próximos a uma rede de drogas pareceu-me interessante.
O objetivo inicial deste trabalho era pesquisar o olhar de dois grupos de senhoras da Vila São João - mais conhecida como Morro da Cruz – sobre a rede de drogas ilícitas da mesma região, compreendendo-se por rede de drogas todo o conjunto de sujeitos que usam, vendem, compram e distribuem drogas. Porém, da apresentação desta proposta no início do semestre até agora, algumas coisas mudaram.
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