Mulher moçambicana entre a tradição e a modernidade:
o espólio patriarcal e a luta pelo empoderamento numa história de poligamia em Paulina Chiziane
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.154505Palavras-chave:
Literatura Moçambicana, Representação Feminina, Interdisciplinaridade, Poligamia, Análise do DiscursoResumo
A interculturalidade ubuntu, profundamente enraizada nas comunidades africanas, constitui um dos pilares da moçambicanidade ao articular pertencimento coletivo, solidariedade e memória histórica compartilhada. O artigo analisa a representação da condição feminina moçambicana na obra Niketche: Uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane, compreendendo a literatura como um espaço de elaboração simbólica que dialoga com a realidade social sem se reduzir a um simples reflexo dela. A partir de uma abordagem interdisciplinar que integra literatura, antropologia, filosofia africana, sociologia e estudos de gênero, examina-se como a narrativa problematiza criticamente categorias como tradição, modernidade, patriarcado e poligamia, entendidas como construções discursivas. Destaca-se a distinção entre a poligamia enquanto instituição social e sua representação literária, frequentemente associada a relações desiguais de poder. Metodologicamente, utiliza-se a Análise Crítica do Discurso, evidenciando a literatura como produtora de sentidos. Conclui-se que Niketche é um espaço privilegiado de reflexão sobre gênero, cultura e poder em Moçambique.
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