Entre o arquivo e a prisão
imagens domésticas do cárcere político de Inês Etienne Romeu
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.154122Palavras-chave:
Arquivo Pessoal, Cultura VisualResumo
Este ensaio analisa um conjunto de fotografias produzidas em 1976 no Instituto Penal Talavera Bruce e preservadas no fundo pessoal de Inês Etienne Romeu. Inserido no campo da cultura visual, o artigo propõe compreender essas imagens não apenas como registros do encarceramento político durante a ditadura civil-militar brasileira, mas como agentes na construção da memória histórica. Parte-se da hipótese de que tais fotografias instauram um regime híbrido de visualidade, no qual signos da iconografia doméstica são produzidos no interior do espaço prisional. A metodologia articula análise visual e cruzamento de arquivos, relacionando imagens, cartas, telegramas e documentos institucionais do período. Os resultados indicam que as fotografias operam como formas de domesticação provisória do cárcere e como expressão de resistência afetiva em um contexto ainda sem horizonte de anistia. Conclui-se que o gesto arquivístico de preservação dessas imagens constitui uma política da memória e uma prática de sobrevivência histórica.
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