Trajetória escolar de mulheres lésbicas ex-alunas da rede privada de ensino de Teresina-PI
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.153293Palavras-chave:
Narrativas, etnobiografia, Memória, Sexualidade, Contexto escolar, EscolaResumo
O artigo analisa trajetórias escolares de mulheres lésbicas ex-alunas da rede privada de ensino de Teresina (PI), a partir de uma abordagem etnobiográfica centrada na memória, na narrativa e na experiência vivida. O problema de pesquisa investiga como discursos e práticas escolares produziram silenciamentos sobre gênero e sexualidade e como tais experiências foram narradas, reinterpretadas e ressignificadas ao longo do tempo. Teoricamente, o estudo dialoga com contribuições de Foucault, Butler, Louro, Hall e Miskolci, articuladas a debates sobre memória e produção narrativa do eu. Metodologicamente, baseia-se em entrevistas narrativas realizadas em encontros sucessivos, permitindo observar a construção situada dos relatos e seus deslocamentos interpretativos. Os resultados indicam que a escola operou pedagogias da sexualidade marcadas pela heteronormatividade e por abordagens biologizantes, gerando experiências de invisibilidade e violência simbólica. Contudo, as narrativas revelam estratégias de agência, elaboração da memória e produção de sentidos que tensionam a norma. Conclui-se que as estratégias analisadas iluminam a escola como espaço de disputa simbólica, no qual memória, identidade e diferença são continuamente negociadas.
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