Do corpo à ciência
etnobiografia como dispositivo de reconhecimento e resistência
DOI:
https://doi.org/10.22456/1984-1191.153085Palavras-chave:
Etnobiografia, Deficiência, Acessibilidade, Reconhecimento SocialResumo
Este artigo discute a etnobiografia como uma epistemologia legítima de produção de conhecimento nas Ciências Humanas, especialmente nos estudos sobre deficiência e acessibilidade. Fundamentado nos debates sobre reconhecimento social, justiça epistêmica e saber situado, o texto problematiza a exclusão da experiência corporal do pesquisador nos paradigmas científicos tradicionais. O objetivo é demonstrar como a narrativa em primeira pessoa, articulada a registros audiovisuais, pode operar como método analítico capaz de transformar vivências individuais de exclusão em evidências sociológicas e demandas públicas por reconhecimento. Metodologicamente, o estudo baseia-se em uma pesquisa etnobiográfica conduzida por uma pesquisadora com deficiência física, combinando relato de experiência, análise crítica e documentação audiovisual de barreiras arquitetônicas em espaços universitários. Os resultados indicam que a etnobiografia amplia a empiricidade ao incorporar dimensões sensoriais, afetivas e morais frequentemente invisibilizadas. Conclui-se que o método contribui para a democratização da produção científica ao reconhecer o corpo como fonte legítima de conhecimento.
Downloads
Referências
BANDEIRA, Keiliane. DE L.; COSTA, Kamilla. S. DA. Mulheres com deficiência na Amazônia: a autoetnografia como recurso metodológico para narrar histórias invisibilizadas. Horizontes Antropológicos, v. 28, n. 64, p. 121–141, set. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-71832022000300005 Acesso em: 16 jan. 2026.
COCCARO, Luciane M. Autoethnographic (D)escriptions: performance in dialogue with anthropological research approaches. Revista Brasileira de Estudos da Presença, v. 11, n. 2, p. e102509, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbep/a/GztYmrvSG8sqW4sCX3Sq9NJ/?lang=pt Acesso em: 21 jan. 2026.
CUNHA, Thaliane A. Para Além das Rampas: Audiovisual sobre Acessibilidade Arquitetônica do Campus Gragoatá- UFF. 2025. Dissertação (Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão) – Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 26 set. 2025.
CUNHA, Thaliane A. Para além das rampas: caminhos e ensaios pelo Gragoatá. Youtube, 2025. 15 minutos e 38 segundos.
DANNER, Leno F. Decolonialidade, Lugar de Fala, e Vozes-Práxis Estético-Literatura Indígena Brasileira. Alea: Estudos Neolatinos, v. 22, n. 1, p. 59–74, jan. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1517-106X/20202215974 Acesso em: 15 jan. 2026.
DUTRA, Luiz H. de A. Introdução a Epistemologia. São Paulo: Editora UNESP, 2010.
FRANÇA, Bianca Z. Pesquisando diante, com e como terreiro: reflexões metodológicas sobre possibilidades no fazer etnográfico em um terreiro de Umbanda. Religião & Sociedade, v. 42, n. 3, p. 105–127, set. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rs/a/GxVbpdYcdGgVZzSZNZrfqdS/?lang=pt Acesso em: 15 jan. 2026.
GAMA, Fabiene. A autoetnografia como método criativo: experimentações com a esclerose múltipla. Anuário Antropológico. [Online], v.45 n.2 | 2020, posto online no dia 28 maio 2020. Disponível em: http://journals.openedition.org/aa/5872; DOI: https://doi.org/10.4000/aa.5872 Acesso em: 18 dez. 2025.
HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: A gramática moral dos conflitos sociais. Trad: Luiz Repa. 1ª Edição. São Paulo: Editora 34, 2003. ISBN 85-7326-281-8
LIMA, Jair A. de. A subjetividade como reflexividade e pluralidade: notas sobre a centralidade do sujeito nos processos sociais. Sociologias, Porto Alegre, ano 20, n. 48, maio-ago 2018, p. 246-270. Disponível em: https://doi.org/10.1590/15174522-020004814 Acesso em: 15 jan. 2026.
MELO, André M. R. DE.; OLIVEIRA, Míria. G. DE. “Eu, leitor de mim”: saberes narrativos e reflexividade autobiográfica no sertão potiguar. Educar em Revista, v. 36, p. e75656, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/er/a/6F6RDBFJkkdgvnyB53V6xzx/?lang=pt Acesso em: 14 jan. 2026.
OLIVEIRA, Bernardo C. S. C. M. DE. Permita-me falar mais alto do que minhas cicatrizes. Sexualidad, Salud y Sociedad. Rio de Janeiro, n. 37, p. e21302, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1984-6487.sess.2021.37.e21302.a Acesso em: 14 jan. 2026.
PEREIRA, Flávia L; BARROS, Nelson F. Escrita autoetnográfica e performática dos silenciamento, embaçamento e colonização dos nossos corpos. Sexualidad, Salud y Sociedad. Rio de Janeiro, n. 37, p. e21308, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1984-6487.sess.2021.37.e21308.a Acesso em: 15 jan. 2026.
RAIMONDI, Gustavo,A; MOREIRA, Cláudio; BARROS, Nelson F. O corpo negado pela sua “extrema subjetividade”: expressão da colonialidade do saber na ética em pesquisa. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v. 23, p. e180434, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/Interface.180434 Acesso em: 10 jan. 2026.
SANTOS, Camila. M.; BIANCALANA, Gisela. R. Autoetnografia: um caminho metodológico para a pesquisa em artes performativas. Revista Aspas, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 53–63, 2017. DOI: 10.11606/issn.2238-3999.v7i2p53-63. Disponível em: https://revistas.usp.br/aspas/article/view/137980 Acesso em: 28 jan. 2026.
SANTOS, S.M.A. O método da autoetnografia na pesquisa sociológica: atores, perspectivas e desafios. Plural. São Paulo, Brasil, v. 24, n. 1, p. 214–241, 2017. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2017.113972 Disponível em: https://www.revistas.usp.br/plural/article/view/113972 Acesso em: 6 fev. 2025.
SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 1 Edição. Editora Cortez. São Paulo, 2014.
SILVA JÚNIOR, Welinton S.; NUNES, Mário L. F. Currículo Cultural: Outras possibilidades de pensar a ressignificação. Movimento, v. 29, p. e29008, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.22456/1982-8918.124717 Acesso em: 14 jan. 2026.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 ILUMINURAS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
-
Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons do tipo atribuição BY 4.0.
O envio dos trabalhos implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista, a qual é filiada ao sistema Creative Commons, atribuição CC 4.0. O autor é integralmente responsável pelo conteúdo do artigo e continua a deter todos os direitos autorais para publicações posteriores do mesmo, devendo, se possível, fazer constar a referência à primeira publicação na revista. Esta não se compromete a devolver as contribuições recebidas.
-
O(s) autor(es) que submete (m) artigos para publicação na revista Iluminuras são legalmente responsáveis pela garantia de que o trabalho não constitui infração de direitos autorais, isentando a Revista Iluminuras quanto a qualquer falha quanto a essa garantia.