Territórios Negros e Quilombos Urbanos: Reflexões sobre Patrimônio Cultural e Relações Étnico-Raciais em Contextos Metropolitanos

Autores

Palavras-chave:

patrimônio cultural, quilombos, comunidades quilombolas, terreiras, territorialidades negras

Resumo

O debate sobre o reconhecimento de patrimônio cultural é amplo e cheio de especificidades, em particular quando transcorre no contexto das sociedades complexas, urbanas e industriais. No que tange os patrimônios relacionados a povos tradicionais, como comunidades quilombolas e terreiras, é importante um novo viés, diferente daquele que se refere à patrimonialização de edificações. Um reconhecimento que endurece e limita um conjunto de práticas culturais e sociais, caracterizado pela sua atualização e pela ação do tempo, tem grandes possibilidades de não contemplar a existência do corpo social que lhe dá e lhe atribui sentido. Assim, é importante um olhar afetuoso, que compreenda as especificidades de certas manifestações culturais para que se reflita mais profundamente sobre o significado de patrimonializá-las levando-se em conta os os fluxos  temporais que permitiram a sua perseveração no contexto das nossas metrópoles, até os dias de hoje. Para abordar esse tema apresento o processo de reconhecimento do Terreiro Casa Branca e do Bembé do Mercado (Bahia) e que se refletiu no contexto de minha dissertação de mestrado Aquilombe-se: memória, inclusão e territorialidade em Porto Alegre, realizada junto ao Quilombo Lemos/bairro Praia de Belas.

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Biografia do Autor

Elisa Algayer Casagrande

Mestra em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Universidade Feevale. Jornalista e Relações Públicas graduada pela PUCRS. Pesquisadora associada ao Banco de Imagens e Efeitos Visuais/LAS/ NUPECS/PPGAS-UFRGS.

Margarete Fagundes Nunes

Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisadora associada ao Banco de Imagens e Efeitos Visuais/LAS/ NUPECS/PPGAS-UFRGS.

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Publicado

2022-04-28