As narrativas de resistência de e sobre mulheres nos grafites da cidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1984-1191.116357

Palavras-chave:

Imagem e Imaginário, Fenômeno Urbano, Estudos Etnográficos, Memória Coletiva.

Resumo

No espaço urbano, o grafismos se apresenta, em sua essência, como discurso provocador e questionador das estruturas dominantes e dão vozes aos subalternos e oprimidos. Partindo desse pressuposto, este artigo, de natureza exploratória, investiga os grafites feitos por grafiteiras enquanto modos de resistência na cidade, procurando observar os discursos sobre a mulher e seu corpo. São analisados sete murais com personagens mulheres, de duas artistas de Natal-RN, refletindo-os a partir das perspectivas de Eni Orlandi, Armando Silva, Gilles Lipovetsky, David Le Breton, Bell Hooks e Audre Lorde para compreender as dinâmicas urbanas, as construções sociais do corpo e imaginários femininos e perceber como as artistas se colocam como sujeitas ativas das próprias narrativas. As intervenções observadas apresentam figuras que se distanciam dos padrões estético-corporais reproduzidos pela publicidade. Concluímos que esses grafites são modos de resistência à ordem estabelecida pelos atores hegemônicos da cidade, ao se posicionarem sobre assuntos do corpo, da mulher e da sexualidade.

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Biografia do Autor

Patrícia de Souza Nunes, Universidade Federal de Pernambuco

Bacharela em Comunicação Social e Mestra em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco.

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Publicado

2022-02-01

Como Citar

NUNES, P. de S. As narrativas de resistência de e sobre mulheres nos grafites da cidade. ILUMINURAS, Porto Alegre, v. 22, n. 59, 2022. DOI: 10.22456/1984-1191.116357. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/116357. Acesso em: 4 fev. 2023.