TRANSFERÊNCIA INSTITUCIONAL, BRANQUITUDE E LIMITES DA CONSTRUÇÃO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA: uma crítica à recusabilidade abstrata na psicanálise de margem

Authors

Keywords:

Psicanálise Periphérica, presença-quilombo, branquitude, trauma destruinte, recusabilidade material

Abstract

Este artigo apresenta uma pesquisa qualitativa de base empírica e orientada pela prática, com delineamento de estudo clínico psicanalítico de casos múltiplos. O objetivo é examinar os limites da distinção entre interpretar, construir e recusar quando a decisão clínica ocorre diante de sujeitos negros, periféricos e dissidentes da norma de gênero. O corpus reúne três casos paradigmáticos, selecionados por sua relevância transferencial e pela irrupção de acontecimentos que tensionaram os recursos de simbolização, provenientes de atendimentos nas margens e de aproximadamente dois anos de supervisões coletivas semanais do Dispositivo de Escuta Periphérica Xica Manicongo, com participação, ao longo do período, de cerca de quarenta analistas. O material foi reconstruído retrospectivamente a partir de relatórios clínicos, discussão coletiva e formalização de vinhetas densamente desidentificadas. A análise articula leitura crítica imanente, inflexão contracolonial e exame institucional da transferência. Para evitar inflação conceitual, o argumento concentra-se em três operadores: recusabilidade material, presença-quilombo e trauma destruinte. Sustenta-se que a recusa só adquire consistência ética quando pode ocorrer sem punição vincular ou institucional; que a nomeação racial pode funcionar como recurso de sustentação e recomposição, sem ser automaticamente patologizada; e que o trauma destruinte deve ser formulado como hipótese clínico-metodológica situada sobre regimes contínuos de traumatização, não como diagnóstico ou essência racial. As conclusões têm alcance analítico e exploratório: não avaliam eficácia, não representam a totalidade das instituições psicanalíticas e não autorizam generalização para outros territórios sem investigação específica.

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Author Biography

Jairo Carioca de Oliveira, UFRRJ

Dr. hc em Psicologia pela Logos University International (Flórida, EUA), Teólogo pela FAECAD/RJ e graduando em Pedagogia pela Unifacvest. É Doutorando e Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGEduc/UFRRJ). É membro pesquisador do Laboratório de Educação, Gênero e Sexualidades (LEGESEX/ UFRRJ) e do Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde (UNIR). Fundador e coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura (CPAPEC) e membro fundador da Escola Psicanalítica da Escuta Periférica. Integra ainda o Coletivo Psicanalistas Unidos pela Democracia (PUD) e a Comissão Permanente da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/ Raça e Inclusão (CPID/UFRRJ). É também membro da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro (ACLERJ) e do Movimento Negro Unificado/MNU-RJ. Poeta e bolsista CAPES.

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Published

2026-08-01

How to Cite

Carioca de Oliveira, J. (2026). TRANSFERÊNCIA INSTITUCIONAL, BRANQUITUDE E LIMITES DA CONSTRUÇÃO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA: uma crítica à recusabilidade abstrata na psicanálise de margem. Revista Húmus, 16(48). Retrieved from https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/156295

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