NA ENCRUZILHADA DA CARNE E DO VENTO: pomba gira, memória negra e os ecos de um passado que não passa

Autores

Palavras-chave:

Arquivo vivo. Corporeidade. Encruzilhada. Historiografia multiespécie. Pomba Gira.

Resumo

A pesquisa investiga como a figura de Pomba Gira, inscrita em performances de rua e terreiro, questiona o paradigma antropocêntrico da historiografia moderna. Define-se o objetivo de analisar a emergência de epistemologias corporais, multiespécies e sensoriais que contestam pactos de exclusão racial e de gênero. Adota-se metodologia qualitativa combinando análise documental de diários rituais, registros sonoros, mapeamentos olfativos e observação participante em cultos afro-diaspóricos, articulada a leitura crítica de relatos oficiais e iconografia escolar. O procedimento relaciona dados sensoriais a lacunas arquivísticas, permitindo comparar temporalidades lineares e circulares. A investigação identifica que o corpo, o vento, o perfume e o ritmo atuam como arquivos vivos que deslocam hierarquias ontológicas, exigindo ética multiespécie e revisão dos critérios de prova histórica. Conclui-se preliminarmente que a historiografia encantada, centrada na encruzilhada, oferece modelo analítico capaz de integrar humanos, territórios e agências invisíveis, propondo diretrizes curriculares sensíveis às memórias sensoriais das comunidades pesquisadas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Clodoaldo Matias da Silva, UFAM

Mestrando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Especialista em Ensino de Filosofia, Sociologia e História; Neuropsicopedagogia e Psicanalise Clínica; Psicanálise, Psicoterapia e Psicopatologia do Adolescente; e, Cultura Indígena e Afro-brasileira pela Faculdade do Leste Mineiro - FACULESTE. Graduado em Geografia pelo Centro Universitário do Norte - UNINORTE. Membro do Núcleo de Produção Cientifica e Editoração do Curso de Direito da UEA - NEDIR/UEA. Editor Assistente da Equidade: Revista Eletrônica de Direito da UEA. E-mail: cms.1978@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3923-8839.

Denison Melo de Aguiar, UEA

Pós-doutorando em Direito pela UniSalento (Itália-2024). Doutor em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGD/ UFMG). Mestre em Direito Ambiental pelo Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (PPGDA/ UEA). Graduado em Direito pela Universidade da Amazônia (UNAMA/PA). Membro do Núcleo de Produção Cientifica e Editoração do Curso de Direito da UEA - NEDIR/UEA. Editor Chefe da Equidade: Revista Eletrônica de Direito da UEA. E-mail: denisonaguiarx@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5903-4203.

Referências

BENTO, Maria Aparecida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. São Paulo: Veneta, 2022.

EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

FERREIRA DA SILVA, Denise. Toward a global idea of race. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2007.

HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: o reinado do Rosário e os discursos da diáspora. Belo Horizonte: Mazza Edições, 1997.

MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. Lisboa: Antígona, 2014.

NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 2016.

NASCIMENTO, Beatriz. O negro visto por ele mesmo. São Paulo: Instituto Kuanza, 2021.

SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Exu: a filosofia da encruzilhada. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.

SODRÉ, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2012.

ZALESKI, Clairí. Pombagira, a mulher que chega quando a gente sangra: feminismo que não tem nome e educação cruzada na boca da rua. 2023. 97 f. Dissertação (Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas) – Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, 2023.

Downloads

Publicado

01-04-2026

Como Citar

DA SILVA, C., & Aguiar, D. (2026). NA ENCRUZILHADA DA CARNE E DO VENTO: pomba gira, memória negra e os ecos de um passado que não passa. Revista Húmus, 16(47). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/151281