OS TEMAS DA “REVOLTA” E DO “SATÂNICO” NA POÉTICA SIMBOLISTA: Notas de uma transferência cultural entre França e Brasil
Palavras-chave:
movimento simbolista, transferências culturais, recepçãoResumo
O Simbolismo, um movimento literário que emergiu na França, contrapôs-se ao Realismo e ao Naturalismo e amalgamou influências da mística oriental e críticas ao materialismo científico da sociedade industrial do início do século XX. Charles Baudelaire, com sua obra "As Flores do Mal" de 1857, é apontado como o precursor do movimento, sendo seu soneto "Correspondances" considerado um ponto de partida para a construção simbolista, influenciado por teorias de Edgar Allan Poe e outros autores. A nomeação do movimento como "simbolismo" ocorreu posteriormente, em 1886, através de um manifesto que refutava o positivismo, realismo e parnasianismo. Na França, Paul Verlaine e Arthur Rimbaud se destacaram como expoentes. No Brasil, o Simbolismo foi recebido relativamente rápido, com autores como Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry e Emiliano Perneta, enfatizando temas como morte, transcendência e conflitos espirituais. O movimento no Brasil ocorreu em ritmo diferente, mantendo-se relevante até a década de 1910. O objetivo deste trabalho é compreender a transferência cultural do simbolismo francês para o Brasil, focando na reflexão sobre a temática da “revolta”, do "satanismo" e "satã" em poemas de autores brasileiros, como elementos de ancoragem desses processos culturais.
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