Sistemas de crises e de conflitos no Sahel central
uma análise multidimensional e multiescalar
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-5269.148589Resumo
Desde 2010, observamos uma degradação da situação securitária em Mali, Burkina Faso e Níger. Insurgências jihadistas e separatistas, violências intercomunitárias, criminalidade, brutalidade das forças armadas, golpes de Estado, violações dos direitos humanos participam de complexos conflituais que justificam uma abordagem multidimensional e multiescalar. Objetivamos analisar como sistemas de crises, complexos e evolutivos, dão origem a sistemas de conflitos que se regionalizam, formando estruturas espaciais reticulares transnacionais. A multiplicidade dos beligerantes, a ausência de reivindicações, a fluidez das práticas espaciais dos insurgentes e a descontinuidade temporal das operações desenham um cenário onde células das franquias do jihadismo global se beneficiam da vulnerabilidade e das frustrações da juventude. Nossa abordagem aponta que o tripé soberania/território nacional/povo, adequado a um sistema internacional bipolar estruturado por interações verticais e uma lógica centro/periferia, não é um recurso analítico plenamente relevante no estudo da conflitualidade saheliana. Num mundo apolar que desverticaliza as relações internacionais, devemos considerar as dinâmicas horizontais da violência política, assim como a subjetividade dos atores que coloca em xeque políticas e instrumentos tradicionais da potência.
Palavras-chave: Conflitualidade; Sistemas de Crises; Sistemas Regionais de Conflitos; Sahel Central; África Subsaariana
Palavras-chave: Conflitualidade; sistemas de crises; sistemas regionais de conflitos; Sahel central; África subsaariana
