Governança multinível, Media e Desenvolvimento em África Ocidental
paradigmas em (des)convergência?
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-5269.148169Resumo
África tem sido apontado como um continente subdesenvolvido onde os paradigmas teóricos de desenvolvimento formulados e aplicados em outras latitudes não têm encontrado a mesma correspondência empírica dos países desenvolvidos. Assim, este artigo procura estabelecer uma perspectiva histórica do conceito de desenvolvimento e das relações estabelecidas com a comunicação social e a governação dentro do quadro temporal que vai das independências africanas ao século XXI. Embora os conceitos de desenvolvimento, media e governação multinível sejam fenómenos inseridos num contexto de teorias formuladas a nível mundial, eles não deixam de assumir especificidades e características próprias quando se quer aplicá-los ao campo especificamente africano. Nele, salta-nos à vista dois períodos principais e diametralmente opostos quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista sociocultural: os primeiros 30 anos da pós-independência dos países africanos (nos quais emerge também a ideia de integração africana) e as mudanças de paradigma e abertura política verificadas a partir dos anos 90 do século passado. A evolução dos dois paradigmas – o da comunicação e o do desenvolvimento –, que passam a colocar as pessoas no centro, de um lado, e a fornecê-las com «vez» e «voz», de outro, funde-se e mostra uma reciprocidade entre a evolução dos próprios conceitos e a evolução das formas de governação. Todavia, no caso da África Ocidental, constatamos que em muitos países dessa sub-região, as evidências teóricas de convergência entre esses paradigmas verificadas em nível mundial não têm encontrado a mesma correspondência empírica, o que sugere que na maioria dos casos africanos esses paradigmas seguem trajetórias opostas.
Palavras-chave: Media, Desenvolvimento, Governação Multinível, África Ocidental, Cabo Verde.
