Meritocracia, injustiça e as direções da raiva

explicando o apoio ao populismo de esquerda e de direita

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1982-5269.129695

Resumo

Embora pesquisadores tenham se concentrado em diferentes aspectos para explicar o sucesso dos movimentos populistas, as percepções de injustiça continuam altamente negligenciadas. Apesar da dificuldade em encontrar evidências, este artigo elucida as crescentes percepções de injustiça, a raiva que ela causa e o seu impacto no sucesso eleitoral de movimentos radicais de esquerda e direita, investigando a disseminação do discurso da meritocracia e o reposicionamento ideológico dos partidos políticos. Eu argumento que a coletivização de queixas econômicas direciona a raiva causada por percepções de injustiça exclusivamente para a elite econômica, permitindo uma mobilização de baixo para cima e maior apoio ao populismo de esquerda. No entanto, como a mentalidade meritocrática incentiva a individualização das queixas e a competição social, a raiva que a percepção de injustiça cria é direcionada àqueles vistos como injustamente recompensados, independentemente de sua faixa de renda, o que aumenta o apoio ao populismo de direita. À medida que os populistas alcançam o sucesso eleitoral, a consolidação do discurso e de seu apoio popular passa a depender da capacidade de reafirmar as identidades do “povo honesto” e da “elite corrupta”. As análises de estudos de caso nas Américas e na Europa apoiam os argumentos.

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Biografia do Autor

Lucas Sudbrack, The Chinese University of Hong Kong

É bacharel em Relações Internacionais pela ESPM-Sul e mestre na mesma área pela Xiamen University. Atualmente é doutorando em Governo e Administração Pública na Universidade Chinesa de Hong Kong, onde realiza pesquisas sobre atitudes anti-establishment e apoio popular a movimentos populistas. 

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Publicado

2023-04-28

Como Citar

Sudbrack, L. (2023). Meritocracia, injustiça e as direções da raiva: explicando o apoio ao populismo de esquerda e de direita. Revista Debates, 17(1), 63–84. https://doi.org/10.22456/1982-5269.129695