A lógica da migração partidária

O impacto da extrema direita no Legislativo brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1982-5269.152049

Resumo

Este artigo analisa as dinâmicas de migração partidária subjacentes à ascensão da extrema direita no Legislativo brasileiro, examinando os deputados federais que se filiaram aos partidos de Jair Bolsonaro em dois ciclos eleitorais (PSL em 2018 e PL em 2022). Os achados revelam que o PSL, em 2018, exibiu um índice de novidade excepcionalmente elevado (0,91), com 75% dos deputados eleitos sem experiência eleitoral prévia, enquanto o PL, em 2022, demonstrou maior institucionalização (índice de novidade 0,71) com substancial afluxo proveniente do PSL (31,7% dos migrantes) e de partidos tradicionais de direita. Empregando uma tipologia que distingue leais, migrantes, novatos, membros tradicionais do PL e oportunistas, modelos de regressão logística e MQO (mínimos quadrados ordinários) demonstram que a lealdade ao bolsonarismo foi eleitoralmente rentável: candidatos leais (que seguiram Bolsonaro em sua migração para o PL) e oportunistas (que se filiaram ao PL advindos de outros partidos) colheram enormes benefícios eleitorais, se comparados aos migrantes (que desertaram para outros partidos). Contrariamente à literatura que enfatiza motivações exclusivamente oportunistas para a troca de legenda em sistemas fracamente institucionalizados, o bolsonarismo estabeleceu vínculos políticos suficientemente robustos para reter apoio parlamentar significativo apesar de ruptura organizacional, produzindo efeitos estruturais substantivos sobre a representação legislativa e alterando cálculos estratégicos para além das organizações partidárias formais.

Palavras-chave: Migração Partidária; Extrema Direita; Bolsonarismo; Sistema Partidário Brasileiro; Regressão Linear.

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Biografia do Autor

Silvana Krause, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutora em Ciência Política pela Universidade Católica de Eichstätt, Alemanha (2003). Bolsista do Programa Mare Baltikum na Universidade de Rostock, Alemanha (2025/1). Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Secretária-Geral da ABRPEL (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais).

Bruno Marques Schaefer, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professor Adjunto do Departamento de Estudos Políticos do IESP (Instituto de Estudos Sociais e Políticos) da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política do IESP. É graduado em Ciências Sociais e concluiu o mestrado em Ciência Política (março de 2018) e o doutorado em Ciência Política pela UFRGS (setembro de 2022). Co-coordenador do MAPE (Laboratório de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Eleições do IESP-UERJ). Editor de Replicabilidade da revista DADOS.

João Feres Júnior, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professor titular de Ciência Política no IESP-UERJ. Suas principais áreas de pesquisa são mídia, comportamento político e comunicação política. É pesquisador principal do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), onde desenvolve os projetos Manchetômetro e Monitor do Debate Público. Feres Júnior coordena o projeto PROBRAL "A Extrema Direita no Brasil e na Alemanha: Uma Análise Histórica e Comparativa". Também pesquisa e publica nas áreas de teoria democrática, ações afirmativas, relações raciais e comportamento parlamentar, além de produzir análises técnicas de ampla circulação.

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Publicado

2026-05-02 — Atualizado em 2026-05-04

Versões

Como Citar

Krause, S., Marques Schaefer, B., & Feres Júnior, J. (2026). A lógica da migração partidária: O impacto da extrema direita no Legislativo brasileiro. Revista Debates, 20(1), 83–104. https://doi.org/10.22456/1982-5269.152049 (Original work published 2º de maio de 2026)

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