O presente estudo tem por foco a vitalidade linguística do Hunsrückisch (hunsriqueano) em contato com o português na área de difusão e uso dessa língua no Brasil, Argentina (Misiones) e Paraguai. Por meio de macroanálises pluridimensionais de dados do ALMA-H (Atlas Linguístico Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch – v. www.ufrgs.br/projalma), em uma rede de 44 localidades de pesquisa, analisou-se a dominância do português nos diferentes grupos de entrevista do projeto, conforme a geração de falantes (GI = 18 a 36 anos; GII = acima de 50 anos) e sua escolaridade (Ca = com nível superior completo ou incompleto; Cb = até o nível secundário). A partir da mensuração do <grau de dominância do português no Hunsrückisch> em resposta à frase CgramI_43 do questionário do ALMA-H, transpôs-se os resultados para o mapa, para verificar macrotendências em diferentes dimensões de análise. Observou-se, desse modo, que 1) na dimensão diageracional, em tempo aparente, ocorre um nítido aumento de marcas do português no Hunsrückisch da GI, denotando uma mudança em progresso na direção da substituição linguística; além disso, 2) na dimensão diastrática, a substituição pelo português dá mostras de aumento sobretudo na Ca, devido à maior escolaridade e consequente maior influência da escrita; 3) na dimensão diatópica, as tendências observadas refletem a ordem de ocupação (maior manutenção em áreas das chamadas colônias velhas do que em localidades das colônias novas), a matriz de origem regional dos imigrantes e a representatividade demográfica, que também é mais coesa e significativa nas áreas de ocupação inicial; por fim, 4) na dimensão diarreligiosa, não se observou a manutenção associada categoricamente à confissão luterana, como se afirma na literatura (Willems, 1940), e sim esse parâmetro se combina com os demais fatores mencionados. Soma-se a esses fatores o papel desempenhado pelo suporte tradicionalmente dado à língua alemã por meio da escola, igreja e imprensa, sobretudo na microárea das chamadas “colônias velhas” do Rio Grande do Sul, que explica processo de consolidação de uma vitalidade relativamente estável do Hunsrückisch, considerando os 200 anos de presença no Brasil.