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Dossiê temático

v. 14 n. 1 (2026): Dossiê temático: 100 anos de Ingeborg Bachmann

Palavra de vida, palavra de morte: a dinâmica da escrita em Malina de Ingeborg Bachmann

Enviado
13 maio 2026
Publicado
25.07.2026

Resumo

Este artigo investiga a relação entre linguagem e pulsão na obra Malina, de Ingeborg Bachmann, articulando a teoria das pulsões de Sigmund Freud à filosofia da linguagem de Ludwig Wittgenstein com mediação teórica da leitura pragmática da psicanálise proposta pelo psicanalista contemporâneo Jurandir Freire Costa. Parte-se da hipótese de que a escrita fragmentária de Malina não apenas representa o conflito pulsional, mas o formaliza em sua própria estrutura discursiva. Nesse contexto, a linguagem é compreendida simultaneamente como meio de ligação simbólica associada à pulsão de vida e como espaço de falha, repetição e desligamento, aproximado à pulsão de morte. A partir da concepção wittgensteiniana de linguagem como prática, argumenta-se que os colapsos discursivos presentes em Malina não remetem a um indizível metafísico, mas a rupturas internas dos jogos de linguagem. Em diálogo com a psicanálise, tais falhas são interpretadas como crises das formas de redescrição disponíveis ao sujeito. A análise de uma cena no final do primeiro capítulo do romance evidencia que, em Malina, a destruição do vínculo ocorre através da própria linguagem. Conclui-se que a literatura, diferentemente da clínica psicanalítica, não busca elaborar ou resolver a falha do dizer, mas convertê-la em forma estética, fazendo da linguagem o lugar em que se encena o limite da simbolização.

Palavras-chave: Ludwig Wittgenstein; Sigmund Freud; jogos de linguagem; teoria das pulsões; literatura e psicanálise. 

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