O artigo analisa a proibição da linguagem sensível ao gênero introduzida na Baviera em 1º de abril de 2024 como um possível caso de censura. A questão central é saber se — e em que medida — essa regulamentação representa uma interferência na liberdade de expressão linguística e no direito fundamental à liberdade de opinião. A análise baseia-se tanto em considerações jurídicas quanto em perspectivas teóricas da sociologia e dos estudos de gênero.
Na parte teórica, o artigo apoia-se no conceito de poder discursivo de Michel Foucault e na teoria da linguagem performativa de Judith Butler. Ambos os enfoques mostram que a linguagem não é neutra, mas contribui ativamente para a constituição da realidade social. A proibição da linguagem de gênero é interpretada, nesse contexto, como uma tentativa de estabilizar relações de poder existentes por meio da linguagem e de excluir formas alternativas de visibilidade de gênero. Na análise da prática social, a proibição é examinada no contexto de escolas, universidades e repartições públicas. Observa-se um quadro heterogêneo: enquanto escolas e repartições implementam a medida de forma estrita, as universidades mostram-se mais ambivalentes. Estudantes ainda podem empregar linguagem sensível ao gênero em trabalhos acadêmicos, enquanto a administração universitária enfrenta restrições claras. Essa aplicação seletiva evidencia a dimensão política da proibição e aponta para tensões entre regulamentação estatal e liberdade individual. A discussão revela que a proibição da linguagem de gênero conduz menos à uniformidade linguística do que à polarização social. Ela provoca debates jurídicos e éticos sobre os limites da intervenção estatal na linguagem, bem como sobre o significado da inclusão e da visibilidade de grupos marginalizados. O artigo conclui que a proibição apresenta, sob diversos aspectos, características de censura e interfere profundamente em processos fundamentais de negociação social. A linguagem torna-se, assim, palco de relações de poder político e de lutas culturais por reconhecimento