O presente artigo dedica-se à Erinnerungskultur em torno da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), bem como ao trauma coletivo da sociedade espanhola, que permaneceu em grande parte silenciado mesmo após o fim da ditadura franquista em 1975. Durante o período da ditadura, o cinema espanhol propagou sobretudo a perspectiva dos partidários do regime de Franco, enquanto qualquer confronto com as experiências e a visão do campo republicano era repressivamente impedido. Apenas com a ruptura do pacto de silêncio os meios audiovisuais passaram, finalmente, a encenar o passado espanhol da Guerra Civil e do Franquismo também sob a perspectiva daqueles que foram derrotados na guerra e oprimidos durante a ditadura. Entre essas obras está o filme de ficção La lengua de las mariposas, de José Luis Cuerda, lançado em 1999, que rememora aquele período através dos olhos de um protagonista infantil e será, a seguir, inserido no contexto da Erinnerungskultur.