Neste ensaio, elegemos três autores que, em momentos distintos e por razões diversas, destoam do tom de seus contemporâneos na tentativa de delinear as bases da historiografia literária e as diretrizes para a composição e recepção da literatura brasileira: José Inácio de Abreu e Lima, Manuel Antônio Álvares de Azevedo, Joaquim Maria Machado de Assis. Os textos de Abreu e Lima e de Álvares de Azevedo, coincidindo cronologicamente com a leva dos primeiros estudos de orientação romântica, problematizam o enlace entre ufanismo e nacionalismo, marca norteadora da escrita epocal da produção nacional. Já os de Machado superam tanto a perspectiva romântica quanto a de seus contemporâneos, a geração que se formou a partir das décadas 60 e 70 do século XIX, mas que alcançou uma melhor sistematização de suas ideias nos anos 1880. Nessa fase pós-romântica, sem aderir ao credo cientificista da geração de 1870 que, respaldado em sistemas de pensamento como o positivismo, o evolucionismo, o determinismo, reviu o princípio da cor local, pretendendo desenvolver uma abordagem analítica e objetiva da literatura, o pensamento crítico de Machado de Assis constitui uma “singular ocorrência”, ao defender que a nacionalização das expressões literárias não se configuraria por retratar elementos externos.