GÊNESE DAS POLÍTICAS DE DEMOCRATIZAÇÃO CULTURAL: utopia e realismo na política de Malraux e na crítica de Bourdieu
Palavras-chave:
Políticas culturais, Democratização cultural, Utopia e realismo, Pierre Bourdieu, André MalrauxResumo
O presente artigo analisa a gênese das políticas de democratização cultural, instauradas na França por André Malraux, contrapondo seu idealismo redentor à crítica sociológica realista de Pierre Bourdieu. A partir da articulação entre a filosofia política, baseada nos conceitos de utopia, realismo e distopia de Renato Janine Ribeiro e Thomas Morus, e a sociologia da cultura bourdieusiana, centrada nas categorias de habitus e capital cultural, o estudo investiga os impasses dessa política na modernidade. A metodologia consiste em uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo. Os resultados demonstram que, ao ignorar as desigualdades no acesso aos códigos artísticos, a utopia de Malraux flertou com a distopia e aprofundou abismos simbólicos. Já a crítica de Bourdieu, a despeito de seu realismo analítico frente à ilusão do dom inato, engaja-se em uma nova utopia pedagógica estrutural. Conclui-se que a utopia atua como consciência ética para denunciar as falhas do presente, ao passo que o rigor realista fornece o instrumental crítico que impede a promessa emancipatória de se transformar em novos mecanismos de violência simbólica.
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