MULHERES E MENINAS NO LUXO DA MORTE: uma análise crítica com Virginia Woolf
Palavras-chave:
Feminicidio, biopoder, necropolítica, violência de gênero, Virginia WoolfResumo
Este artigo investiga o feminicídio como manifestação de uma política diferencial de exposição dos corpos femininos à violência e à morte. A hipótese é que a proteção jurídica da vida das mulheres não elimina as condições sociais que tornam determinadas vidas mais vulneráveis, mas pode coexistir com dispositivos que classificam, normatizam e expõem corpos à eliminação. Para desenvolver essa hipótese, realiza-se pesquisa teórico-interpretativa, de natureza qualitativa, articulando biopoder, necropolítica, produção política do sujeito e crítica feminista com a leitura de textos selecionados de Virginia Woolf. O corpus literário é composto por Um teto todo seu, Orlando: uma biografia e “Ficção Moderna”, utilizados não como ilustração do feminicídio, mas como operadores de leitura das condições sociais de existência das mulheres. Sustenta-se que o feminicídio deve ser compreendido para além do ato letal individual: ele constitui o ponto extremo de uma cadeia de práticas de normatização, controle, apropriação e exposição do corpo feminino. A articulação entre biopolítica e necropolítica permite, assim, compreender que a produção de vidas protegíveis pode ocorrer simultaneamente à produção de vidas diferencialmente expostas à morte.
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Referências
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