GÊNESE DAS POLÍTICAS DE DEMOCRATIZAÇÃO CULTURAL: utopia e realismo na política de Malraux e na crítica de Bourdieu

Autores

  • Amilcar Ferraz Farina Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Políticas culturais, Democratização cultural, Utopia e realismo, Pierre Bourdieu, André Malraux

Resumo

O presente artigo analisa a gênese das políticas de democratização cultural, instauradas na França por André Malraux, contrapondo seu idealismo redentor à crítica sociológica realista de Pierre Bourdieu. A partir da articulação entre a filosofia política, baseada nos conceitos de utopia, realismo e distopia de Renato Janine Ribeiro e Thomas Morus, e a sociologia da cultura bourdieusiana, centrada nas categorias de habitus e capital cultural, o estudo investiga os impasses dessa política na modernidade. A metodologia consiste em uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo. Os resultados demonstram que, ao ignorar as desigualdades no acesso aos códigos artísticos, a utopia de Malraux flertou com a distopia e aprofundou abismos simbólicos. Já a crítica de Bourdieu, a despeito de seu realismo analítico frente à ilusão do dom inato, engaja-se em uma nova utopia pedagógica estrutural. Conclui-se que a utopia atua como consciência ética para denunciar as falhas do presente, ao passo que o rigor realista fornece o instrumental crítico que impede a promessa emancipatória de se transformar em novos mecanismos de violência simbólica.

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Biografia do Autor

Amilcar Ferraz Farina, Universidade de São Paulo

Mestre em Estudos Culturais pela USP com pesquisa sobre políticas públicas de formação artística e cultural. Foi diretor da Divisão de Formação Artística e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo de 2012 a 2016. Foi titular da Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil/PMSP. Compositor, artista-educador e gestor cultural, Amilcar Farina é autor de trilhas para cinema, teatro e exposições. Pós graduado em Gestão Pública pelo Instituto Nacional de Pós Graduação - INPG/São José dos Campos com a pesquisa O Plano de Cultura dos CEUs no Governo Haddad. Bolsista da Faculdade Santa Marcelina no bacharelado em Composição. Bolsista da FAPESP com pesquisa em música e tecnologia. Sua pesquisa é multidisciplinar e diversa abrangendo as políticas públicas de formação cultural, a pedagogia da arte educação no Brasil, a composição assistida por computador e o desenvolvimento de projetos artísticos interlinguagens. Sua produção artística tem circulado diversos festivais nacionais e internacionais com elogios e prêmios da crítica especializada (Animafest Zagreb?-Croácia, International Film Festival?-Huesca, ?XXVIII Festival de Cinema del Uruguay, La Pantalla Pintada-Buenos Ayres, etc.). Foi coordenador de música da 4a Bienal de Arte e Cultura da UNE (2004) e do Projeto Escuta Solidária? tendo lançado neste sua primeira publicação o Pequeno Caderno de Jogos e Vivências Musicais? (Editora Cântaro, 2007). Atuou entre 2008 e 2011 como coordenador artístico-pedagógico do Programa Vocacional e do Programa de Iniciação Artística (PIÁ) da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Entre 2009 e 2013 foi consultor técnico da empresa Edelman-Significa nos editais regionais de arte e cultura do programa de fomento a música. Natura Musical.

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Publicado

01-08-2026